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2009/4/27

QUANDO FOMOS PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA [Baptista Bastos]

 
 

 

BAPTISTA BASTOS

b.bastos@netcabo.pt

[24 de Abril de 2009]

Esta gente que nos governa nada tem a ver com o 25 de Abril, nem, sequer, com o espírito da Revolução. Repare-se que o dr. Cavaco recusa colocar, na lapela, o modesto cravo que foi o símbolo de um sonho e o sinal de uma esperança – que esteve mesmo ali, à mão de semear. Mas o dr. Cavaco entende que o cravo é um sinistro emblema ideológico, admitindo que nada tem a ver com isso. Isso – é o 25 de Abril. Pessoalmente, não me choca a decisão do dr. Cavaco: foi um desses homens que jamais associou o seu nome às batalhas pela liberdade, limitando-se a aprender inglês, na serenidade bucólica de York. Porém, o cravo, como insígnia do "dia inicial, inteiro e limpo" [Sophia de Mello Breyner] não é de Esquerda nem de Direita. Alguém tem ensinado mal o dr. Cavaco.

Olhamos a galeria de gente que ascendeu ao poder (aos poderes, para ser mais exacto) e, ao fazermos uma triagem, registamos que poucos são aqueles que nos representaram, que nos defenderam, que prestigiaram o "dia inicial." Os mais puros e desinteressados foram afastados, removidos, ignorados e, até perseguidos com feroz verdete. Pouco há do 25 de Abril, cujos trinta e cinco anos amanhã comemoramos, com negra descrença e densa infelicidade. Aprendi que as revoluções devoram os próprios filhos. Mas não me conformo, embora reconheça que pertenço a essa legião de homens e mulheres que esperou, esperou, esperou, acaso acima da realidade e da História.

Quando ouço execrar Otelo Saraive de Carvalho e incensar Jaime Neves, torna-se evidente que uma casta de interessados demonstra, apenas, as ideias de uma classe extremamente medíocre, e repassada de ódio. Recordemos que foi num Governo do dr. Cavaco que se recusou a pensão de viuvez à mulher de Salgueiro Maia. E se cometeram outras indignidades.

As estruturas do poder foram levemente amolgadas. Os pides, cedo libertados, e os seus crimes abafados, auferem ou auferiram reformas importantes. Quanto aos magistrados que destruíram, nos Tribunais Plenários, a vida de milhares de antifascistas, envelheceram e morreram na tranquilidade do lar: nem um deles foi incomodado. Há semanas, o dr. Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, afirmou, com a coragem que se lhe reconhece, mas que alguns dos seus pares detesta, a enormidade do escândalo de uma corporação que se defende e protege com unhas e dentes – infensa à ordem moral das coisas.

O 25 de Abril foi. Os desfiles que o celebram apenas revertem para uma memória que a classe possidente abomina, e que a maioria dos jovens ignora. Torga, o grande Torga, a quem a pequenina Clara Ferreira Alves vitupera, apercebeu-se, logo em 1975, o que aí vinha.

Escreveu, no XII volume do "Diário", a 20 de Junho daquele ano: "Estranha revolução esta, que desilude e humilha quem sempre ardentemente a desejou. A mais imunda vasa humana a vir à tona, as invejas mais sórdidas vingadas, o lugar imerecido e cobiçado tomado de assalto, a retórica balofa a fazer de inteligência. Mas teimo em crer que, apesar de tudo, valeu a pena assistir ao descalabro. Pelo menos não morro iludido, como os que partiram na véspera do terramoto. Cuidavam que combatiam pelo futuro e, na verdade, assim acontecia, mas apenas passado de lutadores. O trágico é que um futuro sonhado não passa de uma ficção. O tempo é um lugar do inédito. O futuro autêntico é sempre misterioso e autónomo das premissas do que partiu. Quando chega, traz os seus valores, as suas leis, a sua gente, nem boa, nem má. Traz os títeres que lhe convêm. Ou pior: os títeres a quem a hora convém."

É um retrato terrível e apropriado ao tempo que estamos a viver. Um tempo de títeres. Diariamente, aparecem em todas as televisões, em todos os jornais, em todas as revistas. A maioria daqueles que passam estão, estiveram ou vão estar nos Governos. Logo que saem, entram em empresas, companhias, sociedades relacionadas com as pastas ministeriais onde exerceram funções. Abjuram das convicções e dos ideais de juventude; ou não abjuram: nunca os tiveram e andaram a enganar-nos. No YouTube, entre outras histórias exemplares, lá aparece o Durão Barroso, cabelos longos, muito maoísta e muito defensor dos operários e do camponeses. As declarações que presta a um repórter alimentam-se de um carácter definitivo. O retrato do homem já ali está. A troca de lealdades será sempre a marca d'água da criatura. Mas ele é, apenas, um deles. Os títeres.

Amanhã vai comemorar-se uma data que poderia ter sido e não foi. "Acusam-me de mágoa e desalento", cantou Carlos de Oliveira, outro maior. A infelicidade dele, no final da vida, preconizava a infelicidade dos que sonharam em voz alta. Já nestas páginas o disse: fui um dos que embalou a utopia da cidade nova. E éramos muitos, podem crer. O turbilhão daqueles anos foi a expressão de uma épica que iria devorar-se a si mesma. Nunca soubemos conduzir revoluções, atraídos pela festa, pela absurda ideia de que a juventude não se perde nem se escoa. Fomos envelhecendo, sem compreender muito bem a velocidade insana do tempo. E aqui chegámos trinta e cinco anos depois, desiludidos e fatigados, porém com a certeza de que tínhamos sido protagonistas e não espectadores da História.

Amanhã vou desfilar.

2009/4/26

LOS AMOS DEL MUNDO [Arturo Pérez-Reverte]

 
 

 

Artículo premonitorio del escritor y periodista cartagenero Arturo Pérez-Reverte, publicado en "El Semanal" el 15 de noviembre de 1998, y que ahora, diez años después, se revela como una auténtica profecía.

 

Usted no lo sabe, pero depende de ellos. Usted no los conoce ni se los cruzará en su vida, pero esos hijos de la gran puta tienen en las manos, en la agenda electrónica, en la tecla intro del computador, su futuro y el de sus hijos. Usted no sabe qué cara tienen, pero son ellos quienes lo van a mandar al paro en nombre de un tres punto siete, o de un índice de probabilidad del cero coma cero cuatro.

Usted no tiene nada que ver con esos fulanos porque es empleado de una ferretería o cajera de Pryca, y ellos estudiaron en Harvard e hicieron un master en Tokio -o al revés-, van por las mañanas a la Bolsa de Madrid o a la de Wall Street, y dicen en inglés cosas como long-term capital management, y hablan de fondos de alto riesgo, de acuerdos multilaterales de inversión y de neoliberalismo económico salvaje, como quien comenta el partido del domingo.

Usted no los conoce ni en pintura, pero esos conductores suicidas que circulan a doscientos por hora en un furgón cargado de dinero van a atropellarlo el día menos pensado, y ni siquiera le quedará a usted el consuelo de ir en la silla de ruedas con una recortada a volarles los huevos, porque no tienen rostro público, pese a ser reputados analistas, tiburones de las finanzas, prestigiosos expertos en el dinero de otros. Tan expertos que siempre terminan por hacerlo suyo; porque siempre ganan ellos, cuando ganan, y nunca pierden ellos, cuando pierden.

No crean riqueza, sino que especulan. Lanzan al mundo combinaciones fastuosas de economía financiera que nada tiene que ver con la economía productiva. Alzan castillos de naipes y los garantizan con espejismos y con humo, y los poderosos de la tierra pierden el culo por darles coba y subirse al carro.

Esto no puede fallar, dicen. Aquí nadie va a perder; el riesgo es mínimo. Los avalan premios Nóbel de Economía, periodistas financieros de prestigio, grupos internacionales con siglas de reconocida solvencia. Y entonces el presidente del banco transeuropeo tal, y el presidente de la unión de bancos helvéticos, y el capitoste del banco latinoamericano, y el consorcio euroasiático y la madre que los parió a todos, se embarcan con alegría en la aventura, meten viruta por un tubo, y luego se sientan a esperar ese pelotazo que los va a forrar aún más a todos ellos y a sus representados.

Y en cuanto sale bien la primera operación ya están arriesgando más en la segunda, que el chollo es el chollo, e intereses de un tropecientos por ciento no se encuentran todos los días.

 

Y aunque ese espejismo especulador nada tiene que ver con la economía real, con la vida de cada día de la gente en la calle, todo es euforia, y palmaditas en la espalda, y hasta entidades bancarias oficiales comprometen sus reservas de divisas. Y esto, señores, es Jauja.

Y de pronto resulta que no. De pronto resulta que el invento tenía sus fallos, y que lo de alto riesgo no era una frase sino exactamente eso: alto riesgo de verdad. Y entonces todo el tinglado se va a tomar por el saco. Y esos fondos especiales, peligrosos, que cada vez tienen más peso en la economía mundial, muestran su lado negro. Y enton-ces -¡oh, prodigio!- mientras que los beneficios eran para los tiburones que controlaban el cotarro y para los que especulaban con dinero de otros, resulta que las pérdidas, no.

Las pérdidas, el mordisco financiero, el pago de los errores de esos pijolandios que juegan con la economía internacional como si jugaran al Monopoly, recaen directamente sobre las espaldas de todos nosotros. Entonces resulta que mientras el beneficio era privado, los errores son colectivos y las pérdidas hay que socializarlas, acudiendo con medidas de emergencia y con fondos de salvación para evitar efectos dominó y chichis de la Bernarda.

Y esa solidaridad, imprescindible para salvar la estabilidad mundial, la pagan con su pellejo, con sus ahorros, y a veces con sus puestos de trabajo, Mariano Pérez Sánchez, de profesión empleado de comercio, y los millones de infelices Marianos que a lo largo y ancho del mundo se levantan cada día a las seis de la mañana para ganarse la vida.

Eso es lo que viene, me temo. Nadie perdonará un duro de la deuda externa de países pobres, pero nunca faltarán fondos para tapar agujeros de especuladores y canallas que juegan a la ruleta rusa en cabeza ajena.

Así que podemos ir amarrándonos los machos. Ése es el panorama que los amos de la economía mundial nos deparan, con el cuento de tanto neoliberalismo económico y tanta mierda, de tanta especulación y de tanta poca vergüenza.

 

 
2009/4/23

SE A MICROSOFT FABRICASSE CARROS [José Prudêncio Mendes]

 
 
Aguenta esta, Barrosão!
 
José Mendes
 
Numa recente feira de informática (Comdex), Bill Gates fez uma infeliz comparação da indústria de computadores com a automobilística declarando:
- Se a GM tivesse evoluído tecnologicamente tanto quanto a indústria de computadores evoluiu, teriamos hoje carros que custariam US$ 25 e que fariam 1000 milhas por galão (algo como 420km/l).
 
Resposta da GM:
Se a Microsoft fabricasse carros:
- Toda vez que eles pintassem as linhas das estradas, você teria que comprar um carro novo.
- Ocasionalmente, dirigindo a 100km/h , seu carro morreria na autoestrada sem nenhuma razão aparente, e você teria apenas que aceitar isso, sem compreender o porquê! Depois, deveria religá-lo (desligando o carro, tirando a chave da ignição, fechando o vidro saindo do carro, fechando e trancando a porta, abrindo e entrando novamente... Em seguida sentar-se no banco, abrir o vidro, colocar a chave na ignição e ligar novamente). Depois, bastaria ir em frente.
- Ocasionalmente numa manobra de virar à esquerda poderia fazer com que
seu carro parasse e falhasse... Você teria então que reinstalar o motor! Por alguma estranha razão você aceitaria isso como "normal".
- A Linux faria um carro em parceria com a Apple, extremamente confiável. Cinco vezes mais rápido e 10 vezes mais fácil de conduzir. Mas apenas poderia rodar em 5% das estradas.
- Os indicadores luminosos de falta de óleo, gasolina e bateria seriam substituídas por um simples "Falha Geral ou Defeito Genérico" (permitindo que sua imaginação identificasse o erro!).
- Num  acidente, o sistema de air bag perguntaria: "Você tem certeza que quer usar o air bag?".
- No meio de uma descida pronunciada, quando você ligasse o ar-condicionado o rádio e as luzes ao mesmo tempo, ao acionar o travão apareceria uma mensagem do tipo "Este carro realizou uma operação ilegal e será desligado!".
- Se desligasse o seu carro utilizando a chave, sem antes ter desligado o rádio ou o pisca-pisca, ao ligá-lo novamente ele testaria todas as funções do carro durante meia hora, e ainda lhe daria uma bronca para não repetir isso novamente.
- A cada novo lançamento de carro, você teria de reaprender a conduzir. Coisa fácil! Você voltaria à escola de condução para tirar uma nova carta de condução.
- Para desligar o carro, você teria primir o botão "Iniciar".
- A única vantagem: Os seus netos saberiam conduzir muito melhor do que você!
 
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Zèzinho!
 
    Mas não foi contrariada a afirmação de que «se a General Motors tivesse evoluído tecnològicamente tanto quanto a indústria de
computadores evoluiu, teríamos hoje carros que custariam 20 euros e que gastaríam dois decilitros e meio aos cem».
    Além disso, a General Motors faliu. E faliu porque os capitalistas, seus ditos donos, gamaram a c'roa toda que os trabalhadores produziram.
 
Um abraço.
 
BARROSO
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Marceano Vasconcelos(Offline)escreveu:
Si no fuera por coincidencia..la amistad se quedara siempre, por aquiescencia, por supuesto !!
Macaquices no Planeta Terra.
No Morro de Gibraltar existe uma espécie viva que para lá foi levada e que ao longo de alguns séculos tem conseguido sobreviver usando artifícios próprios dos seus descendentes biológicos, os seres humanos. Por serem muito “engraçados” e saberem interessar os residentes e turistas que por lá os visitam, com a natural curiosidade de “descendentes”, comum a ambas as espécies, … mantêm-se numa activa colónia.
Não havendo por lá bananeiras ou outras árvores de fruta em quantidade, estes curiosos animais têm sobrevivido à custas de diversos actos que, “inteligentemente”, os fazem manter num meio totalmente inóspito para tal raça. E como a comida que lhes oferecem não lhes basta, tal natural colónia aprendeu a roubar o que podem e o que lhes interessa. Tornando-se maus habitantes e má vizinhança em certas zonas do Morro. Uma praga !!
Tornaram-se mesmo o símbolo da região, estas mascotes turísticas que serviam a publicidade de atracção aos passeantes que visitavam tal fenómeno geológico, o morro, que serviu de protecção militar ao Estreito ao longo de diversos milénios.
De modo a atrair o tal turismo económico, foi publicitada uma simbólica imagem de três desses animalecos, cada um com uma moderna atitude puramente humana: Um tapando a boca, não querendo dizer nada, outro cobrindo os olhos porque não quer ver, o terceiro fechando os ouvidos porque não quer ouvir.
Que melhor exemplo para a humanidade de hoje? Com o nível de destruição que está a acontecer neste planeta?
Os macacos continuam macacos, não quiseram evoluir, o darwinismo teve falhas..
Mas os humanos quiseram evoluír conservando os tais três reflexos instintivos. Claro, vindos dos macacos.
É evidente que, nessa sanha de crescimento, deviam ter feito o aproveitamento filosófico que os macacos recusaram. Mas como ambicionaram a rapidez não preservaram as defesas. E agora, perante tal “macacada” provocada por alguns especiais ambiciosos, teremos de ir desenterrar Mr. Darwin para ver se ele consegue concluir os seus doutos estudos e assim avisar a humanidade como se comportar nos próximos 1000 anos, mesmo com fome e desemprego.
Porque com as filosofias marxistas, liberais, religiosas e socretinas destes últimos 100 anos a humanidade vai passar por muitas carência e desgraças.
Talvez agora seja tempo de continuar, desesperada e volutivamente, -Darwin não voltará- a continuar a tapar os ouvidos para não ouvir mais porcaria, tentar começar a ver alguma coisa abrindo os olhos e sobretudo dizer coisas concretamente válidas. E começar a criar uma nova humanidade, começando a comer bananas outra vez…se a demência do insaber nos deixar plantá-las.!!
Porque, tal como esta cataplesia, só um milagre dos peixes ou um Moisés a partir pedra para que jorre água no deserto nos permitirão continuar a sofrer as consequências de tais “espertezas”, mas em paz.!!
Um parêntesis..: as normas do Ministério da Educação –actual- dizem expressamente para os professores (de biologia, entenda-se) não entrarem em pormenores sobre a teoria de Darwin e para darem a evolução no contexto de “outras teorias filosóficas e religiosas” – citado de memória pelo autor C.M., Super Interessante, Abril 2009….
Que interessante tentativa de manipulação..e dizem-se sociais. Socialistas, no caso.
Vá lá que não são macacos. Porque destes, gosto mesmo, animais naturais.
Adoro a Natureza, a minha 2ª Mãe.

2009/4/19

MORREU MARI TRINI [Miguel Barroso]

 
 
MARI TRINI faleceu (faleció - est morte) a 6 de Abril de 2009, com 61 anos. Foi o mundo inteiro quem  a perdeu (Todo el mundo  la ha perdido) (Tout le monde l'a perdue).
 
Tio.
Espero que esteja bem disposto. Por acaso terá por aí na colecção isto? Esta representa muito para nós!  Espero que goste!
http://www.youtube.com/watch?v=uDHRZ2C46bQ
Beijos e abraços. Bom fim de semana. Saudades.
 
Miguel  :o)

--
Miguel Barroso
München - Deutschland
                                
 
   
 
 
2009/4/17

DIA APÓS DIA - ATOLADOS NA MERDA [Rogério Barroso]

 

 

 

 

 

 

Dia após dia

 

ATOLADOS NA MERDA

[Sexta-feira, 17 de Abril de 2009 - 13:48]

 

            Ontem escrevia eu o seguinte: «E trata-se de uma campanha em grande a favor dos do BE, que envolve toda a aparelhagem publicitária e populista do PS. P’ra começar, temos, já em espectáculo puro, o apoio às propostas do BE nos temas do sigilo bancário e da fiscalidade, «cassette» que a bancada socialista na assembleia nacional e o governo passaram os últimos anos a renegar.».

 

            Na verdade, as apregoadas medidas do Partido Socialista sobre a matéria não passam dos primeiros elementos da aludida campanha eleitoral. Seguir-se-ão outros elementos publicitários, aos quais cá estaremos para assistir, pelo menos aqueles que, entretanto, não forem desta para melhor, e eu espero não ir ainda.

 

            Não passa isto de elementos de campanha eleitoral a favor dos do BE, uma vez que é notório que para nada mais servem as medidas apregoadas pelo PS. É possível que ainda venham a originar muitas confusões, sobretudo na comunicação social do regime, mas isso servirá apenas para que os líderes do Partido Socialista cobrem para eles as comissões do seu trabalho de agora (que isto não é gente para se sujeitar a salários!).

 

            Ontem, na assembleia nacional, hoje na comunicação social do regime, as medidas anunciadas por José Sócrates Pinto de Sousa e expandidas pelos seus sequazes centram-se (olhando desmontadamente os discursos) em três artigos de comércio político, a saber:

  1. o segredo bancário (ou “sigílio” bancário, como pronunciou o tolo de Boliqueime);
  2. o enriquecimento ilegítimo (que o governo, pela voz do ministro das finanças, parece querer que seja «enriquecimento injustificado»);
  3. o combate à fraude fiscal.

 

Decretar a possibilidade de alguém que não seja o titular (e, por necessidade funcional, os respeitantes trabalhadores do banco), poder aceder a uma conta bancária é ferir o princípio constitucional de reserva da vida privada. É intolerável num país livre e democrático, regido por um Estado de Direito (digo eu, que não tenho contas bancárias em Portugal e que, quando tive, sempre autorizei qualquer pessoa a estar a par delas, como autorizaria hoje ainda, se as tivesse!).

 

Num país de gritantes diferenças económicas, onde um terço da população vive abaixo do nível mínimo de pobreza europeu e onde a riqueza é livremente apropriada, extorquindo-a aos que a produzem com o seu trabalho, não sou capaz de discernir àcerca do que será uma justificação para a riqueza, nem sou capaz de discernir àcerca da legitimidade para enriquecer, a não ser pelo trabalho. E não é disto que o Partido Socialista, o Partido Popular Democrático – Partido Social-Democrata, e o Centro Democrático Social – Partido Popular falam quando falam de enriquecimento injustificado. Graça teve o «dichote» da Manuela Ferreira Leite, ontem à noite, quando afirmou que estas medidas anunciadas pelo PS como suas, são a cópia daquelas que ela já defende há muitos meses com pequenas diferenças das que o seu partido propôs ainda há três dias atrás (isto é uma confissão de apoio!), como não deixa de ser interessante que o famosa economicista tenha determinado o afastamento do advogado Paulo Rangel para «mais que 30 léguas» do parlamento português, como a católica rainha Maria, filha de D. José (e também feia, que Deus lhe valesse!), fez com o Primeiro-Ministro de seu pai, após a morte deste, ao enviá-lo para Pombal ou mais longe.

 

      Os líderes do Partido Socialista não aprovam «ponta-de-um-corno» aquilo que a bancada do Partido Socialista ajudou a aprovar ontem na assembleia nacional. Para eles, tais medidas não são para entrar em vigor nunca, porque bem conhecem que muitos dos seus figurões estão atolados na merda até ao pescoço (e não se trata de ligar só às «campanhas negras» da comunicação social do regime!). Atentem bem no facto de que, na prática, tais medidas seriam aplicadas pelo órgão do poder administrativo que é o Ministério das Finanças, sem natureza penal, sem legislação criminal nesse sentido, ao mais completo arrepio da Constituição da República Portuguesa. Que descansem os capitalistas que eventualmente se tenham assustado com estes anúncios, nomeadamente os defendidos pelo advogado Paulo Rangel, que hoje de manhã já saiu a terreiro para gritar “Ò da guarda!...”. Que descansem, porque, se alguma vez aparecer uma decisão dessas, não há tribunal nenhum que a não anule, logo na primeira providência cautelar que seja interposta. Perguntem aos juízes!

 

Quanto ao combate à fraude fiscal (a qual, pelos vistos, os ditos “partidos do poder” e o seu louvado chefe nem sequer sabem pronunciar), só se evita através daquilo que latamente se pode chamar JUSTIÇA FISCAL. Por exemplo:

1.      Se quem paga IRC (na maioria, entidades capitalistas) pode descontar, em geral, as suas despesas das suas receitas, só sendo liquidado o imposto sobre aquilo que se chama lucro, porque é que quem paga IRS (na maioria, trabalhadores) não pode descontar as suas despesas à sua receita, liquidando-se-lhe o imposto sobre a totalidade da receita?

2.      Se todas as transacções de valores, bens ou serviços são taxadas em IVA, porque é que o não são as transacções das Bolsas de valores?

3.      Porque é que o Estado (que comete contìnuadamente o crime de extorsão sobre os cidadãos pagadores, ao cobrar-lhes impostos contra nada lhes prestar – muito embora saibamos como sabemos que está isento de pena!) tem milhões para (segundo diz o José Sócrates Pinto de Sousa) garantir aos donos legítimos parte do que alguns ladrões fizeram desaparecer dos bancos, de seguida a fechar escolas, a desactivar hospitais, a abandonar a conservação das estradas, as estruturas de sanidade e águas, os caminhos-de-ferro, a entregar (contra coisa nenhuma) as empresas que eram do povo português aos seus amigos do capital e seus patrões?

 

Mas isto da Justiça Fiscal é matéria para outro tipo de desenvolvimento, quando a governação quiser pô-la à discussão pública.

 

Vai o povo continuar a acreditar nesta canalha que repetidamente lhe demonstra como o engana com as suas trapalhices, ou estes figurões do poder já estarão atolados na merda?

            Tem a palavra o «Zé Povinho»!

 

Rogério Barroso

dr.rogerio.barroso@gmail.com

 

 

 

 

 

2009/4/16

AS COLIGAÇÕES DA DIREITA [Rogério Barroso]

 

AS COLIGAÇÕES DA DIREITA

[Quinta-feira, 16 de Abril de 2009 - 12:47]

 

            O Partido Socialista já está conformado com o facto de perder muitos votos à esquerda. Adivinha-se isto fàcilmente, observando os actos irresponsáveis e mirando os discursos propagandísticos do primeiro-ministro e dos restantes governantes com mais notoriedade na comunicação social do regime. Quando digo «irresponsáveis» não significo que não gerem responsabilidade (porque geram!, nomeadamente responsabilidade criminal, de acordo com a nossa lei), mas apenas quero dizer que são actos próprios de quem está convencido que goza de toda a impunidade do mundo e de quem pode fazer o que bem lhe apetece, só porque as «cavalgaduras» (a que se costuma chamar o «povo português» que vota) lhes deram (como também ao PPD/PSD) a maior parte dos votos nisto que usam chamar «democracia». Quando digo «propagandísticos» não quero qualificar a propaganda, em si mesma, como um mal, mas apenas quero realçar o mal que encerra dizer coisas, as quais sabe, de antemão, quem as diz que são falsas e, pior ainda, enganadoras.

 

            No Partido Socialista, estão os seus líderes convencidos de que podem perder muitos votos à esquerda também porque as sondagens o têm revelado ùltimamente com cada vez maior intensidade e, ainda, pela análise ao cada vez mais manifestado descontentamento da classe mais desconsiderada da nossa sociedade. É igualmente factor de grande apreensão o conjunto de dissenções internas ao mais alto nível da máquina partidária do PS, bem como nos seus níveis mais rasteiros, como o é, também, o facto de a garotada do «aparelho socialista» pressionar cada vez mais com as jiga-jogas com que se põem em bicos de pés, na tentativa de arranjarem, para o futuro, os melhores lugares no vasto estendal da corrupção que caracteriza a administração do Estado desde tempos já imemoriais.

 

Por outro lado, à sua direita no «espectro político-social», o Partido Socialista não tem rival nas suas diversas políticas, exactamente porque a sua prática corresponde, por inteiro, àquilo que preconizaram sempre tanto a extrema-direita (PPD/PSD) como os fascistóides do CDS/PP. Aqui reside talvez a mais importante vitória política do consulado de José Sócrates Pinto de Sousa, ao anular o campo de intervenção política da Direita à sua direita, preenchendo completamente a Direita só com o Partido Socialista e com a sua actuação, disfarçando-a de regeneração do país, como nunca o PPD e o CDS conseguiram fazer, por manifesta falta de inteligência e jeito (engenho e arte). É esta perspectiva que alimenta as esperanças dos líderes do PS em conseguirem conquistar votos, muitos votos, aos partidos também de direita, mas que se encontram à sua direita no espectro político-social.

 

            Porém, ainda assim, o PS receia que os seus ganhos à direita não sejam tão substanciais como as suas perdas à esquerda, razão pela qual o José Sócrates Pinto de Sousa ordenou aos seus sequazes que obtivessem um pacto secreto com o Paulo Portas para um eventualmente necessário apoio pós-eleitoral, em troca de alguns lugares na governação, e da entrega quase completa das administrações dos bancos, das seguradoras e de outras grandes empresas de enorme mobilidade financeira, nas quais, pela sua política de intervenção estadual e pelo colaboracionismo dos gatunos, o primeiro-ministro sabe que vai deter enorme poder. No dia que esse acordo foi alcançado, o CDS reiniciou a sua representação teatral de criticar o governo PS (p’a disfarçar e manter o secretismo necessário à burla que o Sócrates mais uma vez prepara para os seus votante, está bem de ver!). Nesse mesmo dia, o Alberto João redobrou as suas ordinarices contra o «governo do Continente» (p’a marcar bem o seu ódio, que é uma potência elevada da animosidade que o PPD/PSD nunca conseguiu disfarçar contra o PS, por este lhe ter roubado o campo de acção)Também nesse dia, o Cavaco de Boliqueime (Sr. Silva nos termos do seu colega vice-rei da Madeira) deixou cair definitivamente a máscara carnavalesca da «co-habitação».

 

            Mas, ao mesmo tempo, o PS já encara a hipótese de que os votos do CDS nas próximas legislativas possam não chegar para manter nas mãos dos seus líderes o governo e seus poderes adjacentes. Por isso, o Partido Socialista inicia agora, de facto e com grande algazarra na comunicação social do regime, a campanha eleitoral do partido do centro, que se chama Bloco de Esquerda. Claro que se trata sempre de actividades que o José Sócrates Pinto de Sousa, e os seus sequazes da liderança dita socialista, querem manter ofuscadas, desenvolvidas de forma clandestina, porque são verdadeiras conspirações contra quase todos os eleitores do PS (os quais, de entre todas as «cavalgaduras», são os mais cegos e os mais desmoralizados). Por esta razão é que aquelas «queixinhas» que o Doutor Louçã e outros seus acompanhantes da vida vieram fazer, aquando do último congresso dos «rosas mãozinha de vaca», não eram igualmente mais do que «truques» para engodarem os seus partidários e votantes.

 

            E trata-se de uma campanha em grande a favor dos do BE, que envolve toda a aparelhagem publicitária e populista do PS. P’ra começar, temos, já em espectáculo puro, o apoio às propostas do BE nos temas do sigilo bancário e da fiscalidade, «cassette» que a bancada socialista na assembleia nacional e o governo passaram os últimos anos a renegar. De tal forma, o Ali-Bá-Bá «Salgado» do Banco Espírito Santo (além de pôr nos políticos as culpas dos resultados dos gamanços dos banqueiros em todo o mundo, a que o público chama agora a «crise») vem exigir uma amnistia fiscal para grandes empresas e engravatados administradores. Até caberia perguntar-lhe se ele suspeitará que tais corporações ou tais personalidades tenham cometido algum crime para que seja necessária uma amnistia.

 

            Tal como eu, para mandar aos meus amigos, escrevia ontem, em «La Redondela»: “É assim que o tempo passa, entre as nossas desventuras e as nossas esperanças, …”.

 

            Até amanhã.

 

PS (Post-scriptum): Quando eu emprego o termo «cavalgadura» não tenho outra intenção senão a de dizer o que quer dizer «besta-quadrada».

 

Rogério Barroso

dr.rogerio.barroso@gmail.com

 

TEREI EU CONFIANÇA NA INVESTIGAÇÃO DO CASO FREEPORT? [José Prudêncio Mendes]

 
 

     Quer seja verdade ou não o que a comunicação social propala, o alvo foi atingido e a dúvida instalada. A partir de agora só o conhecimento da verdade, provado e aceite como tal, poderá redimir o principal dogma democrático, que é a confiança cega na justiça.

     Aliás, a comunicação social já foi muitas vezes usada para divulgar notícias tendenciosas e mentirosas, como método para atingir objectivos políticos.

     Quem não se lembra da corrida às eleições presidenciais entre Mário Soares e Freitas do Amaral? Até quase ao fim das eleições os candidatos estavam praticamente empatados na intenção de voto dos portugueses, segundo as sondagens. Na véspera das eleições e no ultimo direito de antena divulgado pelo PS na televisão do estado, e sem qualquer possibilidade de resposta ou defesa do outro candidato, foi afirmado que Freitas do Amaral era co-proprietário dum jornal, salvo erro o Primeiro de Janeiro, e que os trabalhadores desse jornal estavam com os salários em atraso havia bastante tempo. Rematavam no fim apregoando que o facto se deveu ao défice democrático do Dr. Freitas do Amaral. Eu não sou claramente de direita, mas a falta de carácter incomoda-me muito.

 

José Mendes

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AGUAVIVA [José Nanclares Fragoso]

 
......kien no recuerda los poetas con los ke estudiamos,nos hacian saber de memoria todas sus obras...
 
                      como no pasear por granada recordando algunas de las poesisas ke ellos escribieron.....
 
 
Alba
 
Mi corazón oprimido
siente junto a la alborada
el dolor de sus amores
y el sueño de las distancias.
La luz de la aurora lleva
semillero de nostalgias
y la tristeza sin ojos
de la médula del alma.
La gran tumba de la noche
su negro velo levanta
para ocultar con el día
la inmensa cumbre estrellada.
¡Qué haré yo sobre estos campos
cogiendo nidos y ramas,
rodeado de la aurora
y llena de noche el alma!
¡Qué haré si tienes tus ojos
muertos a las luces claras
y no ha de sentir mi carne
el calor de tus miradas!
¿Por qué te perdí por siempre
en aquella tarde clara?
Hoy mi pecho está reseco
como una estrella apagada.
 
                                Federico Garcia Lorca.
 
soy todo lo ke escribo..... 
 
      ....escribo todo lo ke soy. 
 
                    Feliz día....MaRía.....                                    
 
 
 

HALLO, HALLO - [Miguel Barroso]

 
 

Hallo Hallo!

Olá Tio! Espero que esteja bem!

Antes de mais, quero agradecer a música que envia, se muitas não fazem parte da minha selecção, outras fazem e muito e muitas outras são fantásticas para recordar!...

Eu sou um "music addicted" e juntamente com o meu irmão partilhamos que a Música marca momentos. Muitas das, chamemos-lhes Antiguidades, que nos envia, por vezes provocam muitas Saudades, mas são sempre associadas a momentos engraçados ou algo de bom e por isso, sempre bons de recordar!

Ora bem!... Quanto à Páscoa!!... Eu não sou católico e toda a minha vida odiei a Páscoa, mas pensemos no magnífico fim-de-semana que proporciona!... Por isso, Uma Boa Páscoa pelo menos junto da sua Coelha preferida!...; o)

Tio! Beijos e abraços, muitas saudades,

 Miguel: o)

 

Miguel Barroso

München – Deutschland

É ASSIM [Rogério Barroso]

 

É ASSIM

[en el pequeño pueblo de «La Redondela», muy cercano al pinar de «Las Colinas», el 14 de abril del 2.009, mientras se desarrollaba la «crisis de los banqueros»]

 

É assim que o tempo passa,

entre as nossas desventuras e as nossas esperanças,

entre as nossas felicidades e as nossas lembranças,

entre as nossas ansiedades e os nossos desejos,

entre os nossos despertares e os nossos bocejos.

 

É assim que o tempo passa,

do lado de cá do futuro e do lado de lá do passado,

do lado de cá do amanhecido e do lado de lá do cansado,

do lado de cá do vencido e do lado de lá do glorioso,

do lado de cá do amargo e do lado de lá do delicioso.

 

É assim que o tempo passa, …

Agora que tudo poderia ter sido o que não foi,

agora que alguma coisa mais faz esquecer o que me dói,

agora que já me sento a descansar das caminhadas,

agora que continuo a correr as minhas estradas…

 

É assim que o tempo passa, …

sentado e ainda à espera das esperanças,

caminhando e ainda lembrando as lembranças,

adormecido e ainda sonhando o meu sonho,

renascido e ainda sorrindo o meu sorriso tristonho…

 

É assim que o tempo passa…

 

 

2009/4/7

INCINTAMENTO À VIOLÊNCIA [José Prudêncio Mendes]

 

 

 

Existe uma norma qualquer jurídica que prevê o crime de incitamento à violência. E porque será que quem incita à violentação não é enquadrado numa qualquer norma jurídica adequada? Não percebo de leis, mas violentação usa-se no sentido de constrangimento ou coacção da vontade, do querer, do desejo. O que o governo está a fazer connosco por exemplo, é a expressão de uma a violentação extrema que deveria ter um enquadramento jurídico punível. Como é que um cidadão pode sobreviver com uma remuneração a rondar o salário mínimo e a pagar o aluguer dum abrigo, alimentação, taxas moderadoras e despesas com a saúde, transportes de custo absurdo? Será que não nos estão a incitar à violência? Será que não deveriam ser condenados por este crime?. Força carneiros. Paguem e não bufem.

José Mendes

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2009/4/5

FALTA CUMPRIR O AMOR A PORTUGAL [Rogério Barroso]

 
     Viajamos há tantos anos por um caminho rodeado de bandidos. Uns de nós (como eu) foram conseguindo escapar aos assaltos, às patranhas, à violência desta seita. Outros, não: deixaram tudo na estrada. Deixaram a vontade, deixaram a energia, deixaram as esperança e as ilusões.
     A bandidagem que tece, conduz e domina a nossa vida não tem mudado muito, a não ser para pior. Hoje estamos entregues a um dos mais ordinários, incapazes, corruptos e incultos bandos de governantes, coligados naquilo a que indigna e vergonhosamente chamam democracia.
     E, porém, falta cumprir o amor a Portugal. Por isso, ainda temos a bandeira a meia haste!
     Bom dia.