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CORA CORALINA [Maria Gizelli]

 
«O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.»
Cora Coralina
 
 
2009/11/22

CORA CORALINA, DE GOIÁS [Francisco Silva]

 
CORA CORALINA, FOI UMA GRANDE POETISA DO ESTADO DE GOIÁS ( BRASIL )

SE TEMOS DE ESPERAR,
QUE SEJA PARA COLHER Á SEMENTE BOA
QUE LANÇAMOS HOJE NO SOLO DA VIDA.
SE FOR PARA SEMEAR,
ENTÃO QUE SEJA PARA PRODUZIR
MILHÕES DE SORRISOS,
DE SOLIDARIEDADE É AMIZADE.
2009/11/20

VOMITO [Marceano Vasconcelos]

 
 

VOMITO

Marceano Vasconcelos [20-11-2009]   

 

 

            Quando Mário Ruivo, funcionário da FAO em Itália, voltou a Portugal, depois do 25 de Abril, apesar da sua vermelhidão política, houve uma lufada de esperança no meio da indústria piscatória, bom, pode ser...vamos tentar. Segundo me lembro ainda fez parte de algum governo de então. Não levou muitos meses a chegar a desilusão. Porque, quando se quer alguma coisa, quando se quer construir um positivismo, as bandeiras não são importantes – desde que não haja um pérfido ódio…

         Mas tal presença redundou numa profunda desilusão. E esse senhor passou à história. Antes, contudo, filosofou muito, coisas, detritos residuais desse organismo da UN. Nada fez e quis politizar mais ainda o sector, quando o problema a resolver era não social mas construtivo. Então todas classes do sector das pescas queriam soluções, racionais, industriais, sociais, benefícios para todos.
Pois, assim como entrou assim, saíu e o sector continuava a caír, de onde vinha há muitos anos, para o buraco negro onde hoje está.

         Um par de anos depois, continuando a saga das pescas, houve muito trabalho no sentido de pôr a indústria na sua dignidade própria, europeia. Nunca a FAO participou, respondeu, colaborou: gentes, organismos de largo ventre que nem os pés conseguem ver...

         Lembro-me que tal personagem continuou, depois, por detrás da cortina, a ser um "embaixador" da dita organização. Para mim, uma atitude criminosa.

         Porque nada fazem, filtram, depois vêm imbecilmente falar da fome…

         Uma questão apenas, a FAO ainda existe e se sim, não será mais um antro de elites parvas, vivendo à custa da fome real do ser humano? Tipo unescos e outras? Até o Guterres por aí anda… e a fome vai crescendo, assustadoramente.

         Envergonho-me com tais pensamentos. Com tal gente. Dá-me vómitos tanta traição social, humana. Até ao fim.

         Vomito.

2009/11/19

A SOCIEDADE DO ÓDIO [Baptista-Bastos]

 
 

A SOCIEDADE DO ÓDIO

Baptista-Bastos [18 de Novembro de 2009]

 

 

            A sociedade dos homens, tal como a conhecemos e no-la ensinaram, desmorona-se, ou, pelo menos, os seus modos de construção estão a ser seriamente abalados. Nada resiste às novas imposições de outras identidades e o sistema saído da globalização vigia e determina a totalidade da nossa existência. Há quem aprecie e defenda esta forma de redução do ser humano. Como pertenço a outra herança, combato a desapropriação social, moral e ideológica. Confesso, porém, que estou a ser derrotado. Não vencido: derrotado.

            Quando Saint Just, na Convenção, proclamou que "a felicidade era possível entre os homens" e que "a liberdade era uma ideia nova na Europa", desfraldou uma bandeira sob a qual a esperança aqueceu o coração da humanidade. O poder das palavras incitou a novas relações de civilidade. A partir daí, o mundo modificou-se. Transformá-lo, como ambicionava Marx. Mudá-lo, no desejo de Rimbaud. As coisas são o que são e à euforia sucedeu-se a nostalgia da história.

            Diariamente somos confrontados com notícias que ilustram as teses da não pertença, tão caras aos defensores da ideologia dominante. Agora, os dirigentes da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) resolveram abandonar o compromisso de erradicação da fome no mundo, até 2025. Para acalmar os espíritos, serviram-se de uma locução evasiva: "Acabaremos com a fome o mais cedo possível", e foram jantar, cheios de boa consciência, enquanto, cheia de fome, uma criança morre, a cada seis minutos, no planeta. A cartografia das boas intenções, exposta na cínica retórica dos discursos, esconde o que temos vindo constantemente a adiar: o coração - para lembrar o poema de António Ramos Rosa.

            É isso: deixámos a generosidade desempregada, atirámos a solidariedade para o esquecimento, depredámos o oiro de um legado que nomeava o reconhecimento do homem como significado essencial. Esta brutal decisão da FAO coloca em risco de morte milhões de seres humanos. E, novamente, a cupidez impôs a sua força: apesar de as colheitas de cereais serem "muito boas", os preços não baixaram: pelo contrário. A reunião da FAO primou, também, pela ausência dos líderes mundiais. Os Estados Unidos, o Canadá, a Alemanha, a França, a Inglaterra, Japão e Rússia, entre outras nações, desconheceram o conclave, como se não fossem responsáveis pela tragédia que se ignora.

            Enquanto uns tantos passam na televisão, convertendo em banalidades as causas do que nos fere, milhões e milhões vivem na sombra e na tragédia do silêncio. Ao privá-los do reconhecimento de si mesmos despojamo-nos do reconhecimento de nós próprios. Não sabemos muito bem o que queremos porque abandonámos a afirmação dos laços sociais.

2009/11/18

VOCÊ CONHECE CORA CAROLINA? [Maria Gizelli]

 
Você conhece Cora Carolina? É uma poetisa maravilhosa!
 

Saber Viver

 

Não sei... Se a vida é curta

Ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

É o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

Não seja nem curta,

Nem longa demais,

Mas que seja intensa,

Verdadeira, pura... Enquanto durar

Cora Coralina
2009/11/17

NÃO AO DESEMPREGO [José Saramago]

 
 

NÃO AO DESEMPREGO

José Saramago [16 de Novembro de 2009]

 

 

A gravíssima crise económica e financeira que está convulsionando o mundo traz-nos a angustiante sensação de que chegámos ao final de uma época sem que se consiga vislumbrar o que e como será o que virá de seguida.

Que fazemos nós, que assistimos, impotentes, ao avanço esmagador dos grandes potentados económicos e financeiros, loucos por conquistar mais e mais dinheiro, mais e mais poder, com todos os meios legais ou ilegais ao seu alcance, limpos ou sujos, regulares ou criminais?

Podemos deixar a saída da crise nas mãos dos peritos? Não são eles precisamente, os banqueiros, os políticos de máximo nível mundial, os directores das grandes multinacionais, os especuladores, com a cumplicidade dos meios de comunicação social, os que, com a soberba de quem se considera possuidor da última sabedoria, nos mandavam calar quando, nos últimos 30 anos, timidamente protestávamos, dizendo que não sabíamos nada, e por isso nos ridicularizavam? Era o tempo do império absoluto do Mercado, essa entidade presunçosamente auto-reformável e auto-regulável encarregada pelo imutável destino de preparar e defender para sempre e jamais a nossa felicidade pessoal e colectiva, ainda que a realidade se encarregasse de desmenti-lo a cada hora que passava.

E agora, quando cada dia aumenta o número de desempregados? Vão acabar por fim os paraísos fiscais e as contas numeradas? Será implacavelmente investigada a origem de gigantescos depósitos bancários, de engenharias financeiras claramente delitivas, de inversões opacas que, em muitos casos, mais não são que massivas lavagens de dinheiro negro, do narcotráfico e outras actividades canalhas? E os expedientes de crise, habilmente preparados para benefício dos conselhos de administração e contra os trabalhadores?

Quem resolve o problema dos desempregados, milhões de vítimas da chamada crise, que pela avareza, a maldade ou a estupidez dos poderosos vão continuar desempregados, mal-vivendo temporariamente de míseros subsídios do Estado, enquanto os grandes executivos e administradores de empresas deliberadamente conduzidas à falência gozam de quantias milionárias cobertas por contratos blindados?

O que se está a passar é, em todos os aspectos, um crime contra a humanidade e desde esta perspectiva deve ser analisado nos fóruns públicos e nas consciências. Não é exagero. Crimes contra a humanidade não são apenas os genocídios, os etnocídios, os campos de morte, as torturas, os assassinatos selectivos, as fomes deliberadamente provocadas, as contaminações massivas, as humilhações como método repressivo da identidade das vítimas. Crime contra a humanidade é também o que os poderes financeiros e económicos, com a cumplicidade efectiva ou tácita dos governos, friamente perpetraram contra milhões de pessoas em todo o mundo, ameaçadas de perder o que lhes resta, a sua casa e as suas poupanças, depois de terem perdido a única e tantas vezes escassa fonte de rendimento, quer dizer, o seu trabalho.

            Dizer "não ao desemprego" é um dever ético, um imperativo moral. Como o é denunciar que esta situação não a geraram os trabalhadores, que não são os empregados os que devem pagar a estultícia e os erros do sistema.

            Dizer "não ao desemprego" é travar o genocídio lento mas implacável a que o sistema condena milhões de pessoas. Sabemos que podemos sair desta crise, sabemos que não pedimos a lua. E sabemos que temos voz para usá-la. Frente à soberba do sistema, invoquemos o nosso direito à crítica e ao nosso protesto. Eles não sabem tudo. Equivocaram-se. Enganaram-nos. Não toleremos ser suas vítimas.

 

2009/11/15

É TÃO BOM... [Maria Gizelli]

 
 
É tão bom viver para sentir tudo isto....não é?.....
beijos
Gi
 
«O que faz você feliz?
A lua, a praia, o mar.
Uma rua, passear.
Um doce, uma dança.
Um beijo
ou goiabada com queijo?

Afinal, o que faz você feliz?
Chocolate, paixão
Dormir cedo, acordar tarde
Arroz com feijão, matar a saudade
O aumento, a casa, o carro que você sempre quis
Ou são os sonhos que te fazem feliz.
Dormir na rede, matar a sede
Ler ou viver um romance

O que faz você feliz?
Um lápis, uma letra, uma conversa boa
Um cafuné, café com leite, rir a toa
Um pássaro, um parque, um chafariz
Ou será o choro que te faz feliz?
A pausa para pensar
Sentir o vento
Esquecer o tempo
O céu
O sol
Um som
A pessoa
Um lugar.

Agora me diz o que faz você feliz?»

Arnaldo Antunes