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2008/10/31

LA MEMORIA HISTORICA: 11 DE SEPTIEMBRE - [Rogério Barroso]

RB no Tirol
 

MEMORIA HISTORICA – 11 de septiembre

Rogerio Barroso - viernes, 31 de octubre de 2008 | 20:00

 

Un mes y medio después nacería mi hijo Gunga, de su nombre ERNESTO SALVADOR, que le puso su padrino Francisco Pimenta Esteves, de Vila Praia de Âncora.

            Y, desde entonces, el pueblo está pagando, como pagaba antes.

            Pero los capitalistas, sea cual sea su partido a lo cual siempre llaman “democrático”, ya están pagando también, auque todavía poco.

            El mundo se transforma y todo queda grabado en la MEMORIA HISTORICA.

            Santo Agustino dice: «La esperanza tiene dos hijas lindas: la rabia y el coraje!».

Yo, en verdad, vos le dijo: «La vida es una grande aventura…».

 
 
 
2008/10/30

ALEX SILVA [Francisco Silva]

Francisco Silva - a apagar as velas do bolo
 
 
A verdade veio disfarçada de saudade
 
2008/10/29

LEPEVISIÓN NOTICIAS - [Antonio Suárez Candilejo]

LepeVisión - logo.jpegAntónio Suárez Candilejo
 
 

«SEM FRONTEIRA»

 

El abogado y comunicador portugués Rogelio Barroso dirigirá un nuevo programa de Lepevisión que acercará a la audiencia onubense algunos de los principales personajes de la política y la sociedad de Portugal, especialmente aquellos más relevantes en el Algarve portugués. El nuevo 'fichaje' de Lepevisión está considerado como uno de los más brillantes observadores y analistas de la actualidad portuguesa en la actualidad.

            Además, Barroso colabora asiduamente en la tertulia ‘El Observador’, que se realiza cada semana desde el hotel Islantilla Golf Resort y que dirige y presenta Antonio Suárez Candilejo.

 


 

DENUNCIAN LA ENTRADA DE BARCOS LUSOS PESE A LA PARADA BIOLÓGICA 

 

Lepevisión Noticias    

lunes 27 de octubre de 2008 - 23:56 

 

 

Pescadores y armadores han denunciado la “pasividad” de la Administración competente ante la actuación de pesqueros con bandera portuguesa que, aprovechando el paro biológico que secunda la flota onubense de arrastre, acuden al caladero del Golfo de Cádiz.

            Según lamentaron algunos marineros, esta situación no es la primera vez que se produce, pese a lo cual las autoridades competentes “no adoptan soluciones concretas”.

            “Es una pena que ahora se les permita a pesqueros lusos que pesquen en nuestros caladeros y cuando nosotros salimos a faenar se nos trata en algunos casos como si fuéramos delincuentes”, explicaron algunos de los afectados.

            A este respecto, los denunciantes recordaron que la flota de arrastre permanece amarrada a puerto entre el 24 de septiembre y el 22 de noviembre para permitir la regeneración del caladero.

            Por ello, “no se entiende que se permita la entrada de embarcaciones, de la nacionalidad que sea, cuando nadie debería pescar en dichas aguas”.

 

2008/10/25

PAUL NEWMAN - [Rogério Barroso]

RB - Isla Antilla
 
 
 
«Meu deus!, como o tempo passa!»,
dizemos de vez em quando.
Afinal, o tempo fica.
A gente é que vai passando!
 
  

AMORES TÓRRIDOS NA EUROPA [António Barroso]

 

ROCK SANTEIRO

 

[António Barroso]

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

 

Toninho - no blogue

 

Amores tórridos na Europa

 

É sempre uma delícia acordar de manhã e saber que, apesar da crise financeira, há amores tórridos na política internacional. Ou será que não? Voltarei ao assunto mais acima. Para já, dedicada à Ângela, ao Joerg, Nicholas e ao Stefan...

 
 
 

Amores tórridos na Europa (parte II)

No meu tempo, enquanto fui jornalista (já passei dos 40, já posso falar assim...), uma não-notícia não era notícia. Tão simples quanto isso! Porém, no meu tempo não havia uma coisa chamada globalização. Algo que os jornalistas experimentaram antes de qualquer cidadão, pois era preciso saber o que se passava do outro lado do planeta e,com isso, saber que efeitos provocaria neste.

Há dias houve um órgão de comunicação inglês para quem uma não-notícia foi notícia. Os outros foram atrás. Tantos e tão atrás foram que o gabinete da primeira-ministra alemã Angela Merkl se viu na obrigação de desmentir algo que nunca existiu: o seu desagrado pelos beijos repenicados de Nicholas Sarkozy, presidente francês. Ora, um desmentido oficial já é notícia...

Quanto ao outro caso amoroso: os ecos de uma hipotética (ou não) relação homossexual do líder da extrema-directa austríaca com o recém-falecido homólogo só me suscita um comentário: a extrema-direita austríaca está a evoluir e cada vez menos extrema. Serão efeitos da globalização? Estou-me a borrifar para os gostos de ambos, que isso é com cada um. Já a mesma sensação não terão muitos dos seus seguidores...

 

Quanto vale uma Academia?

 

A propósito de uma foto da Bola, ilustrada no blog de António Boronha (onde se vê Cristiano Ronaldo e Pepe quando, putos, treinavam de leão ao peito), comentei: "Não é à toa que o presidente da SAD do Sporting quer a Academia sob controlo da mesma. A delapidação de património dos clubes, que até são sócios maioritários das SAD em Portugal, é uma coisa que me irrita um bocado. No meu tempo de jornalista já teria feito um trabalho sobre as vendas do Sporting de jogadores formados pelo clube, quantos e quem foram, quanto renderam e quanto valem hoje... E a partir daí conseguiria aferir qual o valor real da Academia. Futebol, hoje em dia, não é só dar chutos na bola!"

 

Agenda ou birra? Eleições à Porta(s)

 

O avô desavindo do CDS, ex-ministro do PS, eterno potencial Presidente e professor da Nação - como outros professores cm direito ao epíteto mediático - falou na TV e logo o neto (que não o reconhece como antecessor e até a fotografia mandou tirar da sede) veio a público anunciar eleições antecipadas e directas.

Freitas do Amaral disse que o líder do CDS/PP, assim como o próprio partido, estavam muito apagados. Paulo Portas respondeu: 'Bora lá para eleições para ver quem manda aqui!'

 

Retrocesso... ou fazem-se difíceis?

 

Rapidamente saiu um desmentido no New Musical Express (NME) a propósito da eventual reunião de The Smiths. Falava-se na oferta de cerca de 40 milhões de libras para o acontecimento, que teria lugar no Festival de Coachela, na Califórnia, EUA. mas o sangue ferve-me com conspirações latentes ou possíveis. Para todos os efeitos, começaram as pressões para juntar Marr a Morrisey e tirar Rourke e Joyce da vida no campo.

 

Afinal, quase não há impossíveis

 

Bem, parece bruxedo, mas do bom... Há dias escrevi aqui algo sobre uma hipotética reunião de The Smiths, a mítica banda dos 80's a propósito de algumas impossibilidades... Pelos vistos, o regresso da banda de Morrissey e Marr pode tornar-se realidade para o ano. Segundo o jornal inglês The Sun, "nunca esta reunião esteve tão perto de acontecer". Venha 2009 e rapidinho! Para já, aqui fica mais um "recuerdo".

 

É a Jesualdo que Quaresma falta, não à equipa

 

Parece-me confirmado que faltam soluções ofensivas ao FC Porto. Tenho para mim que o Quaresma faz mais falta a Jesualdo Ferreira do que à equipa... Esta semana jogamos contra o Leixões. Quanto a mim, uma equipa mais perigosa que o Dínamo de Kiev, e que vai aparecer no Dragão com vontade e à-vontade de pontuar. Será desta que jogaremos com dois pontas-de-lança (Lisandro e Hulk)? O 4x4x2, atendendo ao plantel actual, parece-me o sistema mais aplicável, com Tarik e Rodrigues nas alas, Lucho e Meireles no centro.

 

 

Euro-crente

 

Consta que os mercados fecharam na Europa com boas expectativas. Mas a economia real está já a mostrar os efeitos nefastos da tempestade financeira nos EUA. Vamos ver se a Europa reagiu a tempo.

Mais importante, nesse caso, seria avaliar essa mesma reacção. Quer-me parecer que correu bem. O que leva de novo à agenda política europeia, de certeza absoluta, a sempre adiada Constituição da UE. Oxalá. Sou euro-crente.

 

Azarito, caros bodes respiratórios!

Devem estar a iniciar-se postagens, lamúrias, discursos no éter e praguejos nas tv's relativamente à Justiça em Portugal. Pinto da Costa sai ileso de mais um processo judicial que não tinha pernas nem cabeça para ser, sequer, processo judicial. Mas, enfim. O futebol, sobretudo o FC Porto, têm servido de bode expiatório a muito bode respiratório!

            E agora que têm mais tempo, senhores procuradores, juízes e jurados dos costumes, que tal começar a investigar a criminalidade e a corrupção a sério? O Poder mesmo e não o folclore...

 

Saída de Quique depende... dele!

Há uma coisa curiosa no mundo do futebol: a blindagem dos contratos às vezes parece papel de celofane. Passo a explicar...

            Rola por aí, com alguma consistência, que o Atlético de Madrid está interessado em Quique Flores para substituir Javier Aguirre, seu actual treinador. Mas a indemnização que os espanhóis teriam de pagar ao Benfica para a contratação do técnico benfiquista seria muito grande.

Academicamente falando - e não passa de mera especulação -, o preço da saída pode ser... nenhum. Hipoteticamente, imagine-se que o Benfica perderia na quinta-feira frente ao Hertha de Berlim e o regresso da I Liga em casa frente à Naval não seria coroado com uma vitória. E a seguir, início de Novembro, recebe o Galatasaray para a UEFA e a Europa pode acabar aí. Com estes dados fictícios e hipotéticos - sem recorrer a critérios subprime, que já vimos não serem os melhores -, qual seria o preço da saída de Quique Flores? Se o preço for ditado desde as bancadas seria: "Mandem-no embora". E ainda ofereceriam a inscrição no MEO a mil espanhóis!!!

O futebol é ingrato e as cotações de hoje podem mudar em apenas 15 dias...

 

Os meus palpites euro-futebolísticos

(Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008)

FC Porto-Dínamo Kiev: 3-1

Shakhtar-Sporting: 1-1

Hertha-Benfica: 2-0

Braga-Portsmouth: 1-2

... e é um pau!

 

2008/10/20

GARANTIAS DO ESTADO AO SISTEMA FINANCEIRO - [Rogério Barroso]

 
 
RB - Isla Antilla

 

GARANTIAS DO ESTADO AO SISTEMA FINANCEIRO

 

[Rogério Barroso - segunda-feira, 20 de Outubro de 2008]

 

            «O que o governo quer com este orçamento - a obrigação do Estado - é ajudar as pequenas e médias empresas e os empresários!».

            José Sócrates proferiu estas palavras à frente das câmaras das televisões, na véspera da apresentação, na Assembleia da República, do Orçamento de Estado para 2009.

Com estas palavras – que não são mais que a expressão ultra-acabada da hipocrisia política, super-aperfeiçoada do cinismo pessoal, hiper-retocada da maldade consciente e voluntária –, o primeiro-ministro apenas fala verdade.

Ele bem quer que estas palavras representem, para o comum dos cidadãos, expressões demonstrativas de que ele, e o seu governo, apostam na salvação histórica da pátria e na elevação social do povo. Aliás, quem anda nestas coisas da política, ou está atento a ela, bem sabe que a maioria do povo até ouve e grava estas palavras como tal, sem se esforçar por fazer qualquer análise etimológica (isto é: fazer por descobrir simplesmente o quer dizer cada uma das palavras do dito), sem necessidade de qualquer esforço de crítica epistemológica política (isto é: sem necessidade, sequer, de saber, por exemplo, o que é que se esconderá por detrás de tantas “boas intenções”).

            Na realidade, o que José Sócrates acha é que o Estado, que saca milhões e milhões do bolso dos cidadãos, tem como obrigação, não a criação das condições de bem-estar colectivo de todos esses cidadãos, mas – com o valor desse saque – ajudar as “pequenas e médias empresas” (esta expressão é fantasiosa, foi habilmente instalada na cabeça de muitas pessoas, mas não quer dizer rigorosamente nada de concreto – e, o que é mais!, ajudar «os empresários».

            José Sócrates fala ainda mais verdade quando quer ajudar empresas, mas apenas as que são pequenas ou médias. As grandes empresas, ele não menciona. Em sua substituição, quer apenas ajudar os seus donos («os empresários»). E estas ditas grandes empresas são logo as que mais empregados têm, como é o caso do Estado.

Não há problemas para a consciência desta gente em deixar cair essas empresas não pequenas nem médias, em deixar que a sociedade corra o risco da tragédia que é o desemprego, e da tragédia maior ainda que é o seu avolumar. Mas há a preocupação, na sua consciência, em ajudar os seus donos.

P’ra esta gente da governação e arredores basta que esteja garantido o “seu” que, como todos sabemos, não é nada pequeno, além de ser totalmente imerecido.

 

*

 

            E a socrateana verdade é tão verdade, como é verdade que a Lei nº. 67-A/2007, de 31 de Dezembro (que aprovou o Orçamento de Estado para o presente ano) não contemplava – como é óbvio, mas também como se pode verificar, contemplando o n.º 1 do art.º 105.º do mesmo diploma – a quantia de vinte mil milhões de euros que o Estado é obrigado a pôr à disposição do «Sistema Financeiro», por vontade da camarilha governamental – Entra Zé!, que ‘tás àgradar!!! -.

De facto e de direito – e de uma forma de duvidosa constitucionalidade – a Assembleia da República, com os votos dos deputados dos partidos derivados da Acção Nacional Popular e da União Nacional (PS, PPD/PSD e CDS/PP), alterou o mencionado preceito da lei do Orçamento de Estado para 2008, para aumentar o limite ali previsto de mais vinte mil milhões de Euros [ver art.º 10.º da Lei n.º 60-A/2008, de 20 de Outubro].

 

*

 

            Há dias atrás, numa das minhas crónicas, manifestava eu muitas dúvidas acerca das figuras concretas que o governo e os proprietários do «sistema financeiro» apregoavam nas suas longas loas de mentiras para adormecer o povo.

Contribuindo para a confusão a instalar na cabeça dos cidadãos - necessária para a subsistência dos figurões do poder - os subservientes informadores do sistema, ditos jornalistas, comentadores, analistas e paineleiros do regime, até anunciaram, dias atrás, que «os bancos já estão a utilizar as garantias do Estado», o que só podia ser aldrabice, claro!. Basta atentar no n.º 1 do art.º 3.º da Lei n.º 60-A/2008, de 20 de Outubro, onde se estabelece que «A assunção das garantias (…) apenas pode ser realizada de acordo com (…) a presente lei (…).». E em boa verdade vos digo: a presente lei só entra em vigor amanhã.

            Mas agora, já de posse dessa lei, hoje mesmo publicada em Diário da República, podemos tirar algumas dessas dúvidas.

 

*

 

            Primeiro que tudo, saibamos que esta lei é decretada pela Assembleia da República, com os votos favoráveis do PS, do PPD/PSD e do CDS/PP. É bom que tenhamos isto bem presente, para mais tarde, quando começarem a chegar os resultados do desastre, o povo não pôr as culpas na democracia ou no 25 de Abril, e saber, de olhos fechados, em que direcção deve apontar [ver preâmbulo da Lei].

            Esta lei estabelece uma possibilidade de o Estado Português, por si só, ser responsabilizado pelos credores do «sistema financeiro» português, quando as pessoas ou empresas que compõem este sistema não cumprirem com os contratos - exemplificativamente de empréstimo de dinheiros entre bancos - que estabelecerem com quaisquer terceiros – quer seja por esses capitalistas nacionais não poderem, como por não quererem, como por gamarem e abalarem a fugir para umas quaisquer Ilhas Caimão. O Estado português obriga-se tanto em contratos futuros como nos já existentes, o que é um autêntico regabofe, uma espécie de - neste caso - bodo aos ricos [ver art.º 2.º do diploma].

            O tão falado «Sistema Financeiro» é legalmente preenchido – sabêmo-lo agora -  pelos bancos, pelas sociedades financeiras e pelos prestamistas, desde que qualquer destas instituições tenha sede em Portugal [ver art.º 2.º do diploma, in fine].

Chamo já a atenção para o facto de esta disposição violar as normas europeias da livre concorrência, bem como os tratados GATT e outros firmados pelo Estado português, exemplificativamente com os Estados Unidos da América e com outros países. No que diz respeito à União Europeia, o disposto neste artigo da lei pode vir a ser declarado nulo, com efeitos retroactivos.

Mas acresce ainda um problema de descarada ilegalidade, face ao disposto no n.º 2 do art.º 1.º da Lei n.º 112/97, de 16 de Setembro, expressamente citada e consagrada no diploma em apreço [ver art.º 9.º do diploma].

 

*

 

            Os bancos, as sociedades financeiras e os prestamistas que tiverem interesse em que o Estado português possa vir a pagar por eles as dívidas que contratarem com terceiros, devem manifestar esse desejo junto do Ministro das Finanças, que pode delegar as competências que tem no âmbito desta lei. No entanto, essa reclamação deve ser apresentada, por igual, ao Banco de Portugal e ao Instituto da Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, I. P., que, a seguir, a encaminharão para o tal ministro (que guerras haverão no seio das “quintinhas” do poder, para que os financeiros sistemáticos tenham que apresentar os seus expedientes a duas entidades do Estado? – mas, como contrapartida, os financeiros sistemáticos têm a possibilidade de usar as garantias quando e como quiserem [ver o n.º 2 do art.º 5.º do diploma]).

 

*

 

            Por outro lado, visto já o facto de as garantias do Estado cobrirem dívidas anteriores ou futuras, e não fixando a lei qualquer prazo para termo da aplicação da presente lei, deve ficar bem anotado que os sistemáticos financeiros vão dispôr indefinidamente, para todo o sempre, per seculum seculorum, dos bens e dos valores do Estado português (actualmente dito como sendo do Povo e dos contribuintes) para não terem que pagar os seus calotes.

O governo dará nota à Assembleia da República dos nomes dos beneficiários e dos valores destas operações, mas apenas na Conta do Estado (coisa que, anteriormente, já têm passado muitos anos sem ser discutida no parlamento) [ver art.º 7.º do diploma]. De seis em seis meses, o Ministério das Finanças dará conhecimento à Assembleia da República das concessões de garantias, mas apenas das que tenham sido praticadas no âmbito do «sistema financeiro» [ver n.º 3 do art.º 6.º do diploma].

 

*

 

            Esta lei, para poder ser eficaz, ainda vai ser regulamentada pelo Ministro das Finanças, o qual utilizará uma portaria, que não tem que discutir com ninguém (abençoada democracia!).     

As garantias prestadas pelo Estado português têm natureza pessoal, ou seja: é a pessoa colectiva de direito público «Estado Português» que vai responder, inclusivamente (dada a natureza pessoal) de forma criminal, razão pela qual a fuga para quaisquer Ilhas Caimão só poderá ser útil para que os figurões do capitalismo financeiro não sejam julgados em associação criminosa com o Estado.

 

AGORA, O ZÉ POVINHO JÁ PODE FAZER UMA IDEIA DAQUILO EM QUE OS SEUS VOTOS O METERAM!

           


 

(Trapezio, 9:52 | Quinta-feira, 23 de Out de 2008)

 

Normalmente, não leio textos muito longos na internet, mas o seu pareceu-me bem fundamentado, o que, desde já, agradeço. Quanto à primeira parte do seu texto, sobre as PME's, deve saber que elas eram (não sei se ainda são) responsáveis pela maior parte dos empregos neste país - entre 80 a 90% há alguns anos atrás. É natural que agora, com o fecho de tantas empresas, já não seja assim.

Quanto à segunda parte, que é a mais importante, gostava de sublinhar o seguinte parágrafo que alerta para uma situação a qual ainda ninguém deu a devida importância:

"As garantias prestadas pelo Estado português têm natureza pessoal, ou seja: é a pessoa colectiva de direito público «Estado Português» que vai responder, inclusivamente (dada a natureza pessoal) de forma criminal, razão pela qual a fuga para quaisquer Ilhas Caimão só poderá ser útil para que os figurões do capitalismo financeiro não sejam julgados em associação criminosa com o Estado." (fim de citação)

Dada a facilidade com que se abrem contas em off-shores, quem nos garante que esses figurões não vão aproveitar esta "deixa" para sacarem mais algum, visto que agora o que paga é a crise?


 

RMS
22-10-2008 11:41:56
Basicamente, o Estado dá aos bancos o que os bancos perderam quando as suas sucursais - a.k.a. financeiras - compraram o que não existia através de dinheiro que pediam à casa mãe - aos bancos - que por sua vez empresta ao Estado, que por sua vez é quem alimenta o sistema financeiro comum europeu através do Banco Central Europeu, que por sua vez é a quem os bancos recorrem para obter empréstimos.
Assim, o capital circula, só que é sempre pelos mesmos caminhos viciados e viciosos. Uma medida destas adia o problema, não o resolve. Da próxima vez serão 40 mil milhões e por aí fora... Se deixarmos, claro, e 2009 está mesmo aí à porta.

QUO VADIS, PS-PORTO?

 
Toninho - no sofá

Quo Vadis, PS-Porto?

Assaltam-me o cérebro algumas dúvidas sobre os casos de Elisa Ferreira e Narciso Miranda e o que ambos podem representar no espectro político nortenho nos próximos meses, cruciais para o escrutínio autárquico de 2009. São dúvidas que provocam o raciocínio lógico, que não é a mesma coisa que o raciocínio político. E deste último me penitencio por alguma ingenuidade minha...
Começando pelas senhoras (como é lógico e tradicional): Elisa Ferreira é, há muito, uma figura consistente nas várias hostes socialistas do distrito portuense. Digo consistente porque até há pouco tempo era a preferida de todos os clãs nortenhos da "Rosa". Lendo os jornais e jornalistas de hoje - há que contar com a Net - apercebo-me que Pedro Baptista já coloca algumas reservas. O candidato que concorre contra Renato Sampaio (homem que não esconde fidelidades a Sócrates) sustenta que o facto de Elisa correr, imediatamente antes das Autárquicas, por um lugar no Parlamento Europeu é, e cito, uma fragilidade que não devia demonstrar... Há quem alegue que Fernando Gomes fez o mesmo antes de se tornar o Marquês de Pombal à moda do Porto. Mas os tempos mudam e parece que os socialistas aqui da área metropolitana não se estão a aperceber da mudança...
Agora, o caso Narciso... Ou ainda muito ficou por contar após o "Caso Lota de Matosinhos", ou não se percebe por que razão deixa o PS cair um dos seus principais "guerreiros" para qualquer batalha. É certo que os tempos mudam - e se é lógico para uns, também o é para outros. Mas os custos políticos de uma batalha fraticida em Matosinhos pode ter custos incontornáveis para o PS ao nível nacional. Ou tudo isto é, ainda, um mero braço-de-ferro?
O meu palpite - e a minha teoria da conspiração - é que Sócrates quer ver quem vale o quê a Norte e "paga" para ver os clãs a redesenharem a "Origem das Espécies". Um papel Darwinesco estranho, ainda assim, para quem tem Matosinhos a perder e o Porto assim-assim.

TODOS TEMOS UMA BOBBY JEAN - [António Barroso]

Toninho - Grande Plano - 2004

Todos temos uma Bobby Jean

Foi para aí há 20 anos. E de alguma forma, com as devidas alterações de pormenor, dissemos que ia ser assim 20 anos depois. Não sabíamos é que a música podia passar noutra coisa chamada internet. O efeito podia ser o mesmo, mesmo que a ouvisses na rádio agora, Bobby Jean.
 
 
2008/10/19

PARA QUEM, COMO EU... - [Diogo Silva]

 
Diogo Silva - 20060805
 

PARA QUEM, COMO EU..., SEJA INCRÉDULO OU INGÉNUO, AO PONTO DE NÃO ACREDITAR EM TAMANHO GOZO A TODOS OS PORTUGUESES...

[comentando uma notícia do JORNAL DE NEGÓCIOS]

 

QUEM É ESTA GAJA?

 

ANA FERNANDES – A NOVA CEO da EDP Renováveis... que só vai dar dividendos em 2020!!!

MAIS ESCÂNDALO

Salário Milionário          Ana Fernandes 

Amante do primeiro-ministro não pode ser, qu’ele não parece ser homem para isto.

Rogério Barroso

 

Com uma remuneração anual fixa de 384 mil euros para 2008, à qual acresce uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base.

            Ou seja: se todos os seus objectivos de desempenho forem cumpridos, Ana Maria Fernandes receberá mais de 1,1 milhão de euros no seu primeiro ano como presidente de EDP Renováveis após a entrada da empresa na bolsa. Os valores mencionados constam do contracto de admissão.

 

Com os melhores cumprimentos,

Diogo Silva


 

 

EDP renováveis

Salário da CEO pode superar 1 milhão

 

Uma remuneração anual fixa de 384 mil euros prevista para 2008, à qual acresce uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base

 

Elisabete de Sá [Jornal de Negócios]

esa@mediafin.pt

 

            Uma remuneração anual fixa de 384 mil euros prevista para 2008, à qual acresce uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base.

            Ou seja, se todos os seus objectivos de desempenho forem cumpridos, Ana Maria Fernandes poderá receber mais de 1,1 milhão de euros no seu primeiro ano como presidente de EDP Renováveis após a entrada da empresa na bolsa. Os valores constam do prospecto de admissão.

            Neste documento a empresa prevê que o salário máximo da administração da EDP Renováveis em 2008 será de 2,5 milhões de euros.

 

APOSTO QUE TANTO BILIÃO... [António Barroso]

 
Toninho - de mala
 

Aposto que tanto bilião não vai resolver nada

Confesso alguma perplexidade face às facilidades com que dinheiro que não havia para ajudar gente com crises reais apareceu de repente para solucionar crises financeiras, isto é, crises que ainda não são reais, mas para lá podem caminhar. Isto é o estranho... e não é só para mim que é estranho.
Agora, o meu palpite é que os biliões (não confundir com milhares de milhões, que é muito menos que biliões) que estão a ser doados ao sistema financeiro mundial não irão resolver crise nenhuma. Estou em crer que houve para aqui, provavelmente, o maior bluff do mundo.
Por fim, espero que quem tem dinheiro real não volte a contratar a cambada de incompetentes e atrasados mentais que tão mal geriram o guito.
2008/10/17

FIRME AÍ, QUEIROZ - [António Barroso]

 
DSC00819

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Firme aí, Queiroz

Dois dias após a derrota de Portugal, maravilho-me com a Imprensa. Estamos cada vez mais sanguinários... Titula-se algo como "Madail mantém confiança em Queiroz", como se tivesse que estar em cima da mesa, de imediato, a demissão do seleccionador.
Estamos, como povo, muito mal habituados. A malta tem uma ideia errada de sucesso, ou de conquista, ou de objectivos... E só assim é porque a maioria de nós procura no sucesso de outros aquilo que nós próprios não conseguimos. Por isso somos tão intolerantes. Pois eu acho que há duas coisas muito relacionadas entre si: a incompetência e a intolerância. Acho até que uma vive da outra. Escondem-se, protegem-se, estão tão unidas que é quase impossível um intolerante não ser um incompetente.
 
 
                       

OTRO QUE DIMITE [António Suárez Candilejo]

 
 
António Suárez Candilejo
 

Otro que dimite

Nueva dimisión en el Grupo Socialista del Ayuntamiento de Huelva. Su hasta ahora portavoz, José Fernández, también ha renunciado a su acta de concejal en esta institución tras "una valoración absolutamente personal".
En un comunicado, explicó que con su renuncia pone "fin a una ilusión cumplida, la de representar las siglas del partido, el Partido Socialista Obrero Español, en la ciudad de Huelva".
Así, José Fernández indicó que toma esta decisión "con la tranquilidad del deber cumplido y en un momento, el de los militantes, en el que el partido está en las condiciones óptimas de abordar un relevo en un nuevo proyecto que nos lleve en 2011 a la alcaldía de Huelva".
Apuntó que en estos casi seis años en los que asumió la responsabilidad que el PSOE le asignó y al que estará "eternamente agradecido", según aseguró el socialista, ha podido comprobar "el afecto" hacia su "persona de muchos ciudadanos pero sobre todo el cariño de la mayoría de los militantes de base del PSOE". ¿Habrá nuevas dimisiones...?.
2008/10/16

AS "JUSTIÇAS DA UEFA" - [António Barroso]

Toninho - Grande Plano - 2004
 

As "justiças" da UEFA...

Parece-me que a UEFA voltou a meter a pata na poça. Depois de um Verão atribulado, com o mais importante clube português (o FC Porto, exceptuando critérios de uma História pouco democrática...) a ser protagonista em rocambolescas sentenças "uefeiras", que culminaram no caixote do lixo da Justiça desportiva internacional, parece que agora tenta impor o seu "justicialismo" pouco sustentado ao Atlético de Madrid. Vá lá que o Governo espanhol não foi em tangas e já disponibilizou ajuda e apoio no sentido de contrariar a decisão de interditar o Estádio Vicente Calderón, em dois jogos, para a Liga dos Campeões.
As sentenças da UEFA têm um historial, no mínimo, pouco abonatório quando se trata de grandes decisões. Ou de verdadeira justiça, melhor dizendo.
Basta recordar - e há que ter memória nestas coisas - dois episódios onde a balança pendeu para onde deu jeito...
1º caso - Decisão política de exclusão da Jugoslávia do Europeu de 92 aquando dos primeiros anos dos conflitos no Cáucaso. Que me lembre, o critério na altura era o mesmo: o futebol não intervém na política e vice-versa...
2º caso - Heysel Park, 1985. Final da então Taça dos Campeões Europeus, entre o Liverpool e a Juventus. Saldo: 38 mortos e centenas de feridos. Culpados: os ingleses. Sentença: clubes ingleses cinco anos sem competições europeias. Agora eu pergunto: porquê só os ingleses? Se um dia puderem apreciar as imagens e investigarem os movimentos das claques, os símbolos que ostentavam, os relatórios policiais e (o mais difícil) os relatórios secretos da Interpol, perceberão que os adeptos italianos também provocaram a situação. Os ingleses é que foram mais fortes (infelizmente) na reacção em plena bancada. Morreram inocentes. Mas a Justiça desportiva da UEFA teve dois pesos e duas medidas.
PS. Já agora, de memória, Michel Platini, actual presidente da UEFA, marcou o único golo de um jogo que a UEFA quis que se realizasse, uma hora após a tragédia, e que ditou a vitória do clube italiano... O mundo é redondo, mesmo!

POR QUÉ DIMITE MANUELA PARRALO? - [António Suárez Candilejo]

 António Suárez Candilejo

 

¿Por qué dimite Manuela Parralo...?

 [António Suárez Candilejo - 16-10-2008]]

 

     La portavoz socialista en el Ayuntamiento de Huelva, Manuela Parralo, ha anunciado su dimisión y entrega del acta de concejal. Se va de la política y regresa a la cátedra, de la que procedía. En medio de la sorpresa generalizada por esta decisión, Parralo argumenta de forma escueta la razón de su marcha: "motivos personales".

     Eso sí, la edil socialista explicó que toma esta decisión "con tiempo suficiente para que se pueda fraguar desde la ejecutiva provincial y desde la nueva ejecutiva local que resulte, otra candidatura con la que liderar el proyecto municipal socialista y culminar así el proceso de cambio que Huelva necesita".

     Además, Parralo anunció que desea expresar su "más profundo agradecimiento al PSOE", que confió en ella "el honor de encabezar la candidatura en las últimas elecciones municipales, al pueblo de Huelva, a sus gentes y a sus barrios que durante estos años han trasmitido su afecto y su apoyo".

Parralo será sustituida por Elena Tobar, licenciada en Filosofía y Ciencias de la Educación, y actualmente diputada provincial y miembro de la Ejecutiva del PSOE de Huelva. Ha sido también coordinadora del Instituto Andaluz de la Juventud y secretaria de Movimientos Sociales y Relaciones con las ONG's de la Ejecutiva Provincial. ¿Por qué dimite Manuela...?.

 

2008/10/15

A SOCIAL-DEMOCRACIA DE OUTONO (3) - [Rogério Barroso]

 
RB - Isla Antilla
 

A SOCIAL DEMOCRACIA DE OUTONO (3)

 

[Rogério Barroso - quarta-feira, 15 de Outubro de 2008]

 

            «O que o governo quer com este orçamento, a obrigação do Estado, é ajudar as pequenas e médias empresas e os empresários!».

            Ontem, José Sócrates proferiu estas palavras à frente das câmaras das televisões. Com estas palavras – que não são mais que a expressão ultra-acabada da hipocrisia política,  super--aperfeiçoada do cinismo pessoal, hiper-retocada da maldade consciente e voluntária –, o primeiro-ministro apenas fala verdade. Ele bem quer que estas palavras representem, para o comum dos cidadãos, expressões demonstrativas de que ele e o seu governo apostam na salvação histórica da pátria e na elevação social do povo. Aliás, quem anda nestas coisas da política, ou está atento a ela, bem sabe que a maioria do povo até ouve e grava estas palavras como tal, sem se esforçar por fazer qualquer análise etimológica (isto é: fazer por descobrir simplesmente o quer dizer cada uma das palavras), sem necessidade de qualquer esforço de crítica epistemológica política (isto é: sem necessidade, sequer, de saber o que é que se esconderá por detrás de tão “boas intenções”).

            Na realidade, o que José Sócrates acha é que o Estado, que saca milhões e milhões do bolso dos cidadãos, tem como obrigação, não a criação das condições de bem-estar colectivo de todos esses cidadãos, mas – com o valor desse saque – ajudar as “pequenas e médias empresas” (esta expressão é fantasiosa, foi habilmente instalada na cabeça de muitas pessoas, mas não quer dizer rigorosamente nada de concreto) – e, o que é mais!, «os empresários».

            José Sócrates fala ainda mais verdade quando quer ajudar empresas, mas apenas as que são pequenas ou médias. As grandes empresas, ele não as contempla. Em sua substituição, quer apenas ajudar os seus donos («os empresários»).

E estas ditas grandes empresas são logo as que mais empregados têm, como é o caso do Estado. Não há problemas para a consciência desta gente em deixá-las cair, em deixar que a sociedade corra o risco da tragédia que é o desemprego, e da tragédia maior ainda que é o seu avolumar. P’ra esta gente da governação - e seus arredores atentos, veneradores e obrigados - basta que esteja garantido o “seu”, que, como todos sabemos, não é nada pequeno, além de ser totalmente imerecido.

 

*

 

Manuela Ferreira Leite, que preside ao PPD/PSD, veio para a comunicação social, depois da reunião com Sócrates, apelar ao povo português para que cumpra o seu dever de confiar no sistema financeiro, que é exactamente aquela “coisa” que, em concreto, ainda ninguém explicou ao povo o que é. Alguns deputados do seu partido, que funcionam nas televisões como analistas, comentaristas e paineleiros, fazem coro com os do PCP, os Verdes e os do Bloco de Esquerda nas reivindicações da oposição, na esperança de que os eleitores os considerem também como oposição à governação. Algumas caras do CDS/PP aparecem nas televisões a dizer que são contra tal e tal, mas…

A oposição ao actual sistema - dominado pelos caciques encobridores oficiais da gatunagem do regime – é desenvolvida apenas pelos três partidos sentados à esquerda, nas bancadas da Assembleia da República, aos quais o povo português não deu mais do que 15% dos votos [Meu povo e minha pova!...]. Ora, como o PS segue a via direitista da política, não há razão para oposição da direita nem da extrema-direita (PPD/PSD e CDS/PP, respectivamente). Pudera! Corres-lhes a vida de feição.

 

*

 

            Em Espanha manifestaram-se muitos milhares de pessoas numa concentração destinada a reclamar mais de três mil milhões de euros, valor dos depósitos deixados pelo povo num banco que abriu falência, enquanto as bolsas de valores mobiliários voltaram a cair em todo o mundo dominado pelo capitalismo norte-americano.

            «Especialistas» (por assim dizer!) comentadores das televisões não têm a certeza de não haver razões para pânico, denunciando que, em Portugal, o único banco que viu crescer o capital dos particulares em depósitos foi a Caixa Geral de Depósitos, «qu’ainda por cima é do Estado». Dizem mais: que o jogo da bolsa evolui entre dois marcos: o medo e a ganância [O que eles são capazes de dizer!...].

            O governo de Sócrates prepara a entrega do que é do povo (participações de capital em quatro grandes empresas, entre as quais a Galp e a Tap, por 1.500.000.000,00 €, correspondente a 5% do valor com que diz garantir as administrações dos bancos [Quem dá aos ricos, empresta a deus!...]). Parece não terem aprendido com a privatização dos bancos que eram do povo português, iniciada por Mário Soares e continuada por todos os governos seguintes, e que deu o resultado que está à vista.

 

*

 

            Na Islândia, a seguir à falência dos bancos norte-americanos ali instalados, está o país à beira da bancarrota, enquanto George W. Bush, alvo de um relatório oficial que o acusa de ter ordenado pessoalmente a tortura de prisioneiros em Guantanamo, desenvolve, por meio das suas agências de inteligência, a guerra entre o Laos e a Tailândia, que poderá estar para começar e que, a acontecer, será mais uma importante fonte de rendimento para os sionistas da 5.ª avenida de Nova Iorque, para os falcões do Pentágono e para o Vaticano.

 

            E nós cá vamos, «com a cabeça entre as orelhas» (palavras escritas por Sérgio Godinho).

2008/10/13

A SOCIAL-DEMOCRACIA DE OUTONO (2) [Rogério Barroso]

RB - Isla Antilla                                                      crisecuba
 

A SOCIAL-DEMOCRACIA DE OUTONO (2)

 

[Rogério Barroso - segunda-feira, 13 de Outubro de 2008]

 

O Conselho de Ministros, em reunião extraordinária, para além da continuação dos trabalhos preparatórios da Proposta de Lei que aprova o Orçamento do Estado para 2009, aprovou o seguinte diploma: «Proposta de Lei que estabelece a possibilidade de concessão extraordinária de garantias pessoais pelo Estado, no âmbito do sistema financeiro».

            Com esta Proposta de Lei, a submeter à aprovação da Assembleia da República, o Governo, face à conjuntura financeira internacional, visa instituir um regime extraordinário de concessão de garantias do Estado de modo a reforçar a estabilidade e a liquidez no sistema financeiro nacional, em condições que permitam assegurar o regular financiamento da actividade económica. As garantias a conceder ao abrigo desta Proposta de Lei podem atingir um montante até 20 mil milhões de euros [leia-se o comunicado do Conselho de Ministros].

Analisemos:

1.      Pelo texto espalhado pelo governo, tratar-se-á aqui de o «Estado» prestar garantias a entidades do «sistema financeiro».

2.      Parece também tratar-se de garantias de natureza pessoal, ficando a dúvida se tal natureza se refere ao prestador das garantias – e nesse caso seriam as pessoas do Estado que o Estado possa obrigar a fazê-lo (primeiro ministro, ministros, restantes elementos do governo, presidente da república, juízes, procuradores da república e seus delegados, deputados, presidente da Assembleia da República e provedor de justiça), porque o Estado não pode, ele mesmo, prestar garantias pessoais –, ou se tal natureza se refere aos beneficiários dessas garantias, que, então, seriam pessoas do sistema financeiro, não pessoas colectivas (porque a definição legal de garantias pessoais não as abrange no respectivo enquadramento), mas apenas pessoas físicas, por exclusão de partes (por exemplo o Jardim Gonçalves, o Belmiro de Azevedo, o Salgado ou o João Salgueiro).

3.      Paira igualmente a dúvida de se saber quem são as pessoas do «sistema financeiro» (colectivas ou físicas, empresas ou figurões), e até a dúvida (esta fundamental) de saber, em concreto, o que é o dito sistema financeiro.

4.      Por outro lado, pelo enunciado e pelo texto do governo, devidamente entrosados, parece que o governo pretende que a Assembleia da República aprove um financiamento de até 20.000.000.000,00 €, quantia que virá a ser entregue às tais – ainda nebulosas – «pessoas» do «sistema financeiro», o que é diferente de o Estado prestar garantias (pessoais ou não) a essas mesmas nebulosas pessoas.

5.      Também deve ser tomado em consideração que a anunciada operação se destina a «assegurar o regular financiamento da actividade económica», parecendo que «actividade económica» comporte os chamados agentes económicos, individuais ou colectivos, empresas individuais ou sociedades.

6.      Não estão, portanto e como afirmei anteriormente, contemplados nem as poupanças dos portugueses, nem as «contas-poupança», nem os depósitos pessoais – o gato escondeu-se, mas deixou o rabo de fora!

 

Esta trapalhice da gente da governação serve, no entanto (e honra lhes seja feita, porque o têm conseguido!) para manter na ignorância os portugueses que não querem pensar (talvez 90% dos cidadãos com direito a voto, considerando os resultados eleitorais anteriores sucessivos).

 

Vejamos:

1.      O governo òbviamente considera necessária tal medida.

2.      O governo torna evidente, por tanto, que alguma coisa aconteceu às vultuosíssimas quantias de dinheiro que as entidades, conhecidas como sendo do sistema financeiro, vêm anunciando, ano após ano, como lucros.

3.      O desaparecimento de tais dinheiros – que torna agora impossível que os bancos, por exemplo, possam devolver aos cidadãos o valor dos seus depósitos, razão pela qual tanto esforço fazem o governo, as «pessoas» que dirigem os bancos, a associação dos banqueiros, e os jornalistas e comentaristas a soldo, para evitar o «pânico» – tal desaparecimento, dizia eu, tem de ser de concreta responsabilidade das entidades e pessoas do sistema financeiro (concluo bem?, ou devem ser de responsabilidade dos depositantes?).

4.      Essa responsabilidade deve ser assacada àqueles, e repostas as «estabilidade e a liquidez no sistema financeiro nacional, em condições que permitam assegurar o regular financiamento da actividade económica», como já manda a lei, ou seja: à custa dos bens e valores das pessoas e das instituições financeiras, com a necessária e legal investigação criminal das responsabilidades de tais pessoas e entidades (note-se que pode muito bem haver pessoas, entre essas, que devam ser preventivamente presas, por perigo concreto de fuga, por perigo concreto para a consecução ou manutenção da prova e por perigo concreto de continuação da actividade criminosa (tudo isto está na lei, porra!).

5.      Só depois de assumir estas responsabilidades para com os cidadãos é que o governo do Estado pode entregar ao «sistema financeiro» e à «actividade económica» tão avultada quantia que recebeu desses mesmos cidadãos, a qual foi paga ao Estado de forma tão sacrificada, em nome do abaixamento da taxa de endividamento público, a qual, com tais medidas, não vai deixar de aumentar outra vez, para mais apertos de cinto.

 

Meus queridos portuguesinhos: AS ELEIÇÕES ESTÃO AÍ!

 

*

 

            Ouvi também falar – mas ainda não consegui confirmar – que o governo do Estado vai criar um Conselho Superior de Prevenção da Corrupção. Criar? Agora? Só agora? Outra Alta Autoridade para a Corrupção (mais tarde chamada “contra a Corrupção”)?

            Já vêm tarde, estes senhores! Agora já se assaltam até as residências dos procuradores da República, para fazer desaparecer provas.

            Enquanto tudo isto, aquele moço, aliás casado com uma algarvia de boas famílias, o qual fugiu de Portugal para Bruxelas quando era primeiro-ministro de outro governo desta gente, veio também agora anunciar que a Europa vai «dar crédito para fomentar a economia». Ele, o Sarkozy e os jornalistas e comentarista a soldo têm enchido a boca com «a Europa, a Europa, a Europa», mas é bom que se saiba que, nesta matéria, a «Europa» não é a União Europeia, mas tão só 17 dos 27 países da União Europeia, que são os 17 países da chamada «zona-euro». Portugal está incluído nestes que têm que financiar os banqueiros europeus 8 e, a seguir, os americanos e australianos, e as repúblicas-de-bananas que são colónias norte-americanas.

            Isto é que vai uma crise!

Aqui ficamos a ver que desigualdades mais vai isto criar na União Europeia.

 

*

O PPD/PSD continua sem cumprir o seu «dever democrático» de praticar a oposição ao governo «democràticamente» eleito. Na verdade, nem que seja por coerência, o papel da sua direcção é estar calada, porque, por um lado, não se pode fazer oposição àquilo com que se concorda (digo eu!), e, por outro, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite não faz a mínima ideia da globalidade em que está envolvida (dizem o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa e a Juventude Social-democrata!). De assinalar que a Juventude Social-democrata propôs ontem o «Pedrito da Figueira» (Dr. Pedro Santana Lopes, antigo acessor constitucional de Sá Carneiro) para presidente do PPD/PSD.

 

O REI VAI NÚ.

2008/10/12

POEMA DE AMOR [de Joan Manuel Serrat] {Rogério Barroso]

RB em SevilhaJoan Manuel Serrat - 2008
 
     Um dos temas que tive oportunidade de discutir com o meu amigo, na Aldeia Nova, em Setembro, foi  o da repressão franquista, nomeadamente sobre a cultura, e também sobre a poesia e sobre a abertura da Espanha à Europa e ao mundo.
     Ficam aqui as imagens respectivas.
     Arriba Franco!, más alto que Carrero Blanco.
 
 
 
 

200810121356 - Poema de amor

 
                       

TEATROS DE CÁ [Graça Arrimar]

 
Graça Arrimar - grande plano
 
Teatros de cá
 
São velhas e novas histórias
                 animadas
entre fatias
de sabor a Tomar
           aspergindo
           cenários vivos
de sorrisos
vício e deboche
              na máscara social
e os gestos de actor
derramam críticas
               vibrando palavras
e oferecem em espelho
os teatros da vida
               cantados na escrita.
 
 
(Graça Arrimar, "Tomar, um rio de vida")
 
2008/10/10

A SOCIAL-DEMOCRACIA DE OUTONO [Rogério Barroso]

 

RB no Tirol                                                                                            O dóllar depois do início da crise

 

A SOCIAL-DEMOCRACIA DE OUTONO

[Rogério Barroso - sexta-feira, 10 de Outubro de 2008]

 

            Foi dado o Prémio Nobel da Paz a um finlandês, diplomata de carreira, sobretudo pelos factos do seu trabalho a seguir à agressão de Bill Clinton, seus falcões e falcoeiros, ao centro da Europa, mais em particular à Jugoslávia.

            Nessa bárbara agressão, Bill Clinton tinha como sócio principal o papa João Paulo II, mais determinado ainda do que simplesmente apoiado pela loja maçónica P2 (Publicità Due), com as suas sedes nas “tendas” financeiras judaicas da 5ª. Avenida de Nova York, no Pentágono e no Banco Ambrosiano da cidade do Vaticano, no centro de Roma.

Era então também falcoeiro – e, ao mesmo tempo e em função disso, ministro da guerra em Portugal – um tal Vitorino, que agora diz coisas, que só ele sabe, na Rádio Televisão Portuguesa e conclui com disparates por cima de disparates.

O que é curioso é que a parte do trabalho diplomático do Nobel em prol da paz, a qual é a principalmente destacada na atribuição do prémio, é o conjunto de propostas para a protecção das minorias sérvias no Kosovo, justamente as que nunca foram aplicadas pelos invasores norte-americanos.

Acresce que isto tudo ocorre na altura em que, concomitantemente, o governo social-democrático do Partido Socialista reconheceu o Kosovo como país independente, e as Nações Unidas, não o reconhecendo, atribuíram ao Tribunal Internacional de Haia o processo judicial internacional de verificação da legalidade da citada auto-proclamada “independência”.

*

 

Os partidos portugueses descendentes da União Nacional/Acção Nacional Popular – PS, PPD/PSD e CDS/PP – negaram hoje, no Parlamento, liberdades individuais garantidas aos portugueses na Constituição da República Portuguesa de 1976 (Versão de 2006).

Também neste caso, a Loja P2 do Vaticano teve influência decisiva, ao impôr a proibição de alteração ao art.º 1577.º do Código Civil Português, que é a de retirar a expressão «(…) de sexo diferente (…)» ao corpo do mesmo artigo – e pouco mais, por necessidade de adaptação ao novo texto de outros artigos do mesmo diploma e de leis avulsas (trabalho para uma secretária de advogado que seja competente!).

E negaram garantias constitucionais dos cidadãos cada qual com a sua argumentação, com alguma resistência de deputados da respectiva oportunística (mas antiga!) coligação, e com argumentos dos mais variados, todos redundando em que a vontade de cada um tem de sujeitar-se às babuseiras (dois mil anos de velhas!) dos católicos de Roma, com destaque para os mentirosos “sociais-democratas” que dirigem actualmente o PS, que até conseguiram declarar que estão de acordo com a matéria pretendida na proposta do Bloco de Esquerda.

O PS votou contra o que considera certo, por uma questão de oportunidade!!!

 

*

 

Sócrates anunciou, no dia em que chegou a Lisboa (vindo de Bruxelas, de uma reunião do Conselho de Ministros da União Europeia) o seu ministro das Finanças, que o seu governo garantia “as poupanças dos portugueses”, em resposta à crise instalada na banca capitalista internacional.

Perante a investida de muita gente (nomeadamente a minha!) no sentido de alertar os depositantes de dinheiro em bancos para os avisar de que deveriam levantar o valor de todos os seus depósitos (podendo manter as contas poupança, se tivessem confiança alguma nas promessas da direita moderada instalada no poder), Sócrates veio, logo no dia seguinte, corrigir as suas promessas para que «o governo garantirá os “depósitos” dos portugueses em bancos».

Apesar da promessa modificada, o governo vai garantir com quê?

·      Com alcatrão da pista de aterragem do novo aeroporto da margem sul de Lisboa (que ainda não há)?

·      Com porcas das rodas do novo trem de alta velocidade (que ainda não há)?

·      Com periscópios dos submarinos do Paulo Portas (que já há, mas não têm dinheiro para navegar)?

·      Com quadros do museu Barardo (que não sei se são do Estado)?

·      Com pás das ventoinhas da “quarta maior empresa” de moinhos de vento norte-americana que a EDP diz ter comprado?

·      Com as riquezas e a solidez dos bancos hoje apregoadas pelo presidente do SPG (“sindicato português da gatunage” – como lhe chamo eu quando estou a brincar às casinhas!), João Salgueiro?

 

*

           

            No mesmo dia em que anunciou que o Estado garante as contas-poupança dos portugueses, até ao valor de 50.000,00 € – o que já é discriminatório (e por isso cheira a inconstitucional por ferir a disposição de que todos os cidadãos são iguais perante a lei, não distinguindo ricos de pobres, nem ricos e pobres dos que não têm possibilidade de ter contas-poupança) –, nesse mesmo dia, Sócrates anunciou que os trabalhadores vão ter que pagar, com o seu IRS, metade do IRC aos pobres patrões (ver, com olhos de ver, a proposta de Orçamento de Estado para 2009, e estar atento à proposta para a de 2010).

            Nem uma palavra para a tão necessária, prometida e esperada ajuda aos portugueses (30%) que vivem abaixo do nível mínimo de pobreza estabelecido na União Europeia (consultar para este valor, a competente página no sítio Internet da EU) foi alguma vez pronunciada por Sócrates durante o seu consulado – para além, claro está!, de umas trapalhices propagandísticas que, para além de nunca terem tido efeito prático, só servem para enganar o povinho crédulo e disfarçar a cada vez pior situação financeira e patrimonial do povo português em geral.

            Esta direita moderada, que são os dirigentes ditos socialistas, está (creio que sinceramente!) convencida de que, dando aos ricos que vivem da exploração do trabalho dos outros (porque os que também trabalham, vão igualmente pagar, e… mais do que beneficiam!), aqueles irão dar aos pobres. A ser verdade, seria uma transviada versão do “Robim dos Bosques”, segundo a qual, como queria a encíclica Rerum Novarum, não existe luta de classes. Em conformidade, já o Woitila dizia: «Quem dá aos pobres, empresta a deus». Sócrates parece querer dizer: «Quem dá aos ricos, empresta a deus».

Assim sendo, não restarão grandes dúvidas de que Sócrates irá para o céu. Mas a verdade importante é que, afinal, Vasco Gonçalves tinha razão: é necessário nacionalizar a banca para salvar a economia.

 
 
2008/10/8

ERSE - QUE VERGONHA DE PAÍS [Vanda Cabrita]

 
ERSE José Sócrates - a tapar a cara
 

QUE VERGONHA DE PAÍS!!!!!!....

 

 

Mais uma golpada

Jorge Viegas Vasconcelos despediu-se da ERSE

 

 Jorge Vasconcelos

Era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve.

            Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores. Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios.

            Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês – ou seja, 2.400 contos – durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego. Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?».

            E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!».

            E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400 contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».

            Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos».

            Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE foram mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.

Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.

            Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, e abusivo desavergonhado abocanhar do erário público.

            Mas voltemos à nossa história. O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia,  sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.

            Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é – e para que serve – a ERSE?

            A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético.

            E pergunta você, que não é burro: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?». Parece que não. A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço.

            Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE? Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga? E tão descarado gozo? Políticas à parte, estou em crer que, perante esta e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação.