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2007/10/31 PRIMEIRO DE NOVEMBRO – DIA DOS DEFUNTOS…??? (Marceano Vasconcelos)PRIMEIRO DE NOVEMBRO – DIA DOS DEFUNTOS…??? (MARCEANO VASCONCELOS – 30 de Outubro de 2007)
Quando nasci e vivi neste pequeno mundo português, dito católico, mas há mais..., ensinaram-me – o Padre Delgado, simples, humilde e humano, de Olhão, anos 50 – que o 1º de Novembro é o do dia de todos os santos. Quando me apercebi, mais adolescente, ‘chez les jésuites’, que o dia a seguir, o ‘02 November’, é que é o dia dos defuntos, apreendi tal informação. ‘Gramava’ (e ajudava, ocupava o tempo...) três missas de seguida, em jejum, nessa data, durante vários anos... Que preceitos!!! À força dos dogmas, pressionados, aprendi tais datas. Quando, a seguir, por outras vagas voguei e de lado olhei tal doutrina, compulsiva e doentia, pela força, deles, esqueci. Quando agora e p’ra sempre, observo, relembrando, por mor do meu actual trabalho, que os humanos misturam defuntos e santos, pergunto: - Os defuntos são santos? - Os santos estarão defuntos? - Os ossos serão presuntos? - Os “presunçosos” serão tantos?
- Não misturemos os ossos com os mortos. - Nem tampouco os presuntos com santos. - Porque, ‘hélas’, morrem os de olhos "tortos". - E vivem, sem assunto, aos milhões, tantos.
O 1º de Novembro, é católico. É o que interessa. É feriado! Produziremos, aqui, o mesmo… E todos os "santos" ajudam !
Então, Visitem depois os defuntos, no dia 2º de Novembro. Ponham flores, façam poemas. Na ‘net’ ou na pedra. Ou no papel. Como no cemitério novo de Faro… Mas…
Sorriam perto de quem amam. Não chorem…
Não misturemos caracóis com búzios. Senão a vida seria agrestemente, tanta!
Já agora, contribuam com os comerciantes, das flores. São pobres e precisam.
Porque os que já foram, só tardiamente Estão recebendo. Por datas... Tal alegria de tão tardio amor! Queremos então, pôr tantos Defuntos em santos? Que calor, Desprezo hoje, e amanhã, Tantos e tantos prantos?
Seres carpideiros. Melhor seria, Se fossem carpinteiros. Giopetto!!!
Bom feriado irmão. Nos veremos por aí. Siempre.
2007/10/26 UMA MENSAGEM DE CERTEZA (Fernando Velez)Uma mensagem de certeza…
Pelo som de dois concertinistas Que tocavam desesperadamente música popular… Por causa da minha emoção passara-me para as mãos Uma das concertinas em cujos baixos me vinguei E consegui acompanhar aquelas músicas Que a gente apanhou do Júlio Diniz Da Morgadinha dos Canaviais E dos casamentos Alentejanos que duravam vários dias Que me davam prisão de ventre Doença que aliás motivou a morte da minha Mãe… E acompanhei em baixos Todas estas memórias que me apetece reviver Agora que eles partiram Mas a voz da concertina Parece ordenar-me que a dedilhe E reponha o Passado em Presente… Que meu Avô me perdoe Só hoje percebi a mensagem... Linda-a-Velha, 07 de Julho de 2007
Fernando Velez
O MEU TREMOCEIRO (Mafalda Magalhães)
O meu Tremoceiro. (A história de uma Menina e de uma Avó)Mafalda Magalhães (25 de Outubro de 2007, na Aldeia Nova)
Carolina é uma menina Pequena e Grande. Tem apenas três anos, por isso é Pequena, mas tem dentro de si uma coisa que a torna Grande, quase maior do que mundo - um coração. A Carolina é uma menina feliz e vive com uma família quase feliz. A sua família, que vive com ela numa casa muito grande e bonita, tem muitas pessoas: a Mãe , o Pai , o Irmão , a Avó Mimi, o Avô , o Tio , a Tia e a a outra Tia que é quase uma bisAvó pois é muito velhinha. Desde que nasceu e antes de um dia entrar na escola, quando tinha dois anos, a Carolina foi crescendo com os mimos da Avó Mimi. Esta Avó é parecida com as Avós dos outros meninos, mas tem uma coisa diferente: é a Avó da Carolina. Era a Avó Mimi que mudava as fraldas à Carolina, que não desistia de lhe dar de comer durante quase duas horas, para ela não ficar com a barriga vazia por causa das birras e que lhe cantava muitas canções bonitas até ela fechar os olhinhos para dormir a sesta. Isto tudo acontecia todos os dias, até a Carolina ter três anos. Ainda hoje brinca com ela no chão, a fazer de cavalinho, padeiro, palhaço... e, quando a Mãe não está, leva a Carolina para a cama e dá-lhe uma surpresa, sempre depois de fazerem uma especial troca de olhares, e que todos os dias é um bocadinho de chocolate macio. Vão completar os rituais de higiene e deitam-se as duas na cama. A Avó Mimi lê a história que a Carolina escolhe, mas nunca é igual à do livro, porque a Avó Mimi vê mal e nunca consegue ler direito, por isso inventa sempre uma história. São tão bonitas as histórias da Avó Mimi! Depois de apagarem as luzes, abraçam-se muito e adormecem sempre as duas num sono profundo, em troca dos dois cansaços diferentes. Mas a Avó Mimi também se zanga com a Carolina sempre que ela, com as suas travessuras de menina rebelde, ultrapassa os limites das brincadeiras e faz umas coisas muito feias que se chamam asneiras. Ela não sabe que a Avó fica muito cansada, mas às vezes percebe que a Avó fica triste e pede-lhe desculpa quase sempre, não por palavras, mas com muitos beijinhos.
Um dia a Carolina viajou para a Madeira com os Pais e com o seu irmão pequenino. Mal o avião aterrou no solo insular, a Carolina quis telefonar à Avó Mimi. Disse-lhe só: “Avó, já cheguei à Madeira. Andei de avião e tive um bocadinho de medo no princípio, porque pensava que ia para o céu, para a beira do Pai Natal. Um beijinho e adeus.” Lá na Madeira era tudo bonito. Havia flores de muitas cores e sítios muito bonitos. No Palms Hotel, onde a família da Carolina ficou hospedada, havia um jardim. Era um jardim muito grande com muitas plantas e todas tinham um nome escrito num quadrado branco espetado no chão. A Carolina, que é muito curiosa, todas as vezes que passava no jardim, olhava para os quadrados e pedia à Mãe para lhe dizer os nomes das plantas. Tinham nomes tão engraçados como Estrelícia, Woshintónia, Plátano, Hortência e até havia algumas que já conhecia, como era o caso da Bananeira, da Figueira e da Pereira Abacate. Havia, porém, uma especial. Era uma árvore pequena, com folhas verdinhas e com umas bolinhas em cacho. Chamava-se Tremoceiro. Para a Carolina, o Tremoceiro era a árvore mais bonita do jardim. Ela costumava rir-se muito sempre que a Mãe lhe dizia: “este é o Tremoceiro”. A Carolina adora tremoços. Todos os dias, e várias vezes por dia, esta menina de olhos cor do céu e sorriso feliz visitava o seu Tremoceiro. Acho mesmo que ficaram amigos. Uma noite quente, que se segui a um dia cheio de emoções, a Carolina quis falar com a Avó Mimi. O Pai Guilherme fez a ligação para casa e ela num monólogo torrencial, descreveu as suas novas experiências à Avó. E disse-lhe, no meio de todos os pormenores, com palavras pouco perceptíveis pelo sorriso demasiado aberto e os olhos a brilhar: “Avó, sabes que aqui até tem um Tremoceiro.” Todos falaram ao telefone, até o pequeno Francisco, que começa agora a dizer as primeiras frases. Todos deram beijinhos à Avó Mimi. Estavam nesse momento, em que já tinham passado as onze horas da noite no relógio, no centro do Funchal a entrar no carro, que duas horas antes tinha sido estacionado num parque de estacionamento junto ao mar. A Mãe deu a volta ao carro para ajudar a pequena Carolina a entrar, quando a encontrou com a cara esmagada contra a porta do carro, deixando fios de lágrimas escorrer pela porta abaixo. Chorava em silêncio. A Mãe perguntou-lhe: “ O que se passa Carolina, magoaste-te?” Após 5 segundos olhou para a Mãe. A sua cara tinha um misto de tristeza e revolta e por trás duma espessa membrana de água que rebentou ao som da primeira palavra, estavam uns olhos muito azuis, implorando atenção e conforto. Então, disse baixinho: “ Oh Mãe, a minha Avózinha não viu o meu Tremoceiro e eu queria tanto que ela visse!” Enquanto a colocava no carro, a Mãe propôs: “Quando chegarmos ao hotel, vamos tirar uma fotografia da Carolina junto do Tremoceiro e levamos para a Avó Mimi”. Embora a ideia lhe tivesse agradado, a Carolina pediu para falar de novo com a Avó Mimi ao telefone e os minutos seguintes foram preenchidos com um monólogo intenso, no meio de um choro compulsivo que quase lhe tirava a capacidade de proferir qualquer palavra. A Carolina dizia: “Avó, já só falta dormir uma noite, depois é Sábado e depois é Domingo e eu já vou para o pé de ti. E não te preocupes, que eu vou levar uma fotografia do Tremoceiro para tu veres.” Adivinha-se que do outro lado do telefone estava uma Avó, ela também com um choro silencioso, que explodia do seu coração cheio de saudades daquele “tremoço” pequenino e delicioso, chamado Carolina. Chegaram ao hotel. A Carolina foi a primeira a chegar ao Tremoceiro e a pôr-se numa pose bonita para que aquela fotografia fosse a mais bonita do rolo que estava dentro da máquina fotográfica. Embora com os olhos inchados e a cara manchada do esforço que fez a chorar, realmente aquela foi a fotografia mais bonita que a família tirou nestas curtas férias na Madeira. O Domingo chegou e a família quase feliz deixou o hotel. A Carolina despediu-se de todas as suas amigas plantas. Nesse dia vestia um lindo vestido azul, também ele cheio de flores. À volta do pescoço trazia uma bolsinha pequenina, que a Mãe lhe ofereceu. Embora não combinasse muito bem com as cores do vestido, por ser fluorescente, ela deu-lhe uma utilidade que até ao momento não tinha sido pensada por ninguém. Foi ao Tremoceiro dizer adeus e, sem dizer nada, percorreu com os olhos toda a árvore e escolheu uma folha, que no meio de todas que a árvore tinha, para ela era a mais bonita. Arrancou-a com cuidado, abriu a bolsinha e guardou-a lá dentro.
O dia de Domingo foi passado a passear, até chegar à hora de embarcar de novo para o Continente. Eram 3 da manhã quando chegaram a casa. A Carolina, pela primeira vez na sua curta vida, não conseguiu adormecer. Tinha passado o dia e a viagem de avião a abrir a sua pequena bolsinha, certificando-se que dentro dela estava a folha pequenina, que lhe deu o seu amigo Tremoceiro. A sua expressão, embora cansada, era um misto de ansiedade e alegria quando viu a porta de casa. Entrou, viu a Avó Mimi e correu para o seu abraço. Logo a seguir tirou da pequena bolsa a folhinha verde que lá estava e disse: “ Avó, trouxe para ti. É uma folha do meu Tremoceiro”. A Avó, comovida e feliz, agradeceu-lhe com um beijo carinhoso. Nessa noite a Carolina quis fazer o “pim-pam-pum, para ver quem a adormecia e embora o resultado do jogo fosse em definitivo para a escolha da Mãe, a pequena Carolina fez desviar o seu dedo no último segundo, para que ficasse apontado para a Avó. E assim adormeceram as duas muito abraçadas, e tiveram o mesmo sonho.
Passou um mês desde que a Carolina foi à Madeira. Uma noite, enquanto se deitava com a Mãe, perguntou: “Mãe, porque é que as pessoas morrem?” A Mãe, algo desconfortável com a pergunta, tentou, o melhor que sabia, explicar que todas as pessoas, animais, plantas morrem mas ficam no céu ao pé do Jesus. Os olhos pequeninos da Carolina ficaram de novo cheios daquela água salgada e ansiosa de lhe correr pelas faces rosadas. “Mãe, eu não quero que a minha Avózinha morra. Quero que ela fique sempre ao pé de mim. Sabes, temos que ir à Madeira buscar o Tremoceiro, porque a minha Avó ainda não o viu”. E naquela noite, a Mãe Mafalda deixou uma promessa no coração amargurado da filha. “Minha querida, a Mãe e o Pai vão plantar um Tremoceiro no nosso jardim!” A Carolina limpou as lágrimas e adormeceu, sossegada pela certeza que tinha que os Pais iam cumprir a promessa. O PASSADO (Graça Arrimar)Olá amigo Rogério Barroso;
As tuas e as do Osmar Casagrande, são palavras de recheio vermelho, grávidas de sangue, respirando a utopia dos que todos os dias inventam um Dia melhor.
As palavras só são férteis se criarem algo...nem que seja apenas imaginação!!!
Um abraço e um poema
Graça
"O Passado"
Oiço
a memória
latejando...
as batidas
são apelos
a voz...
as raízes
respirando.
(Graça Arrimar "Nos braços do vento") CÂMARA DE LISBOAEleições intercalares de 2007 QUERO, GRAÇA (Osmar Casagrande)Quero, Graça,
a graça de te sentir o pensamento,
por maior seja meu silêncio;
sentir o que há de humano
(e mesmo uma prévia de anjo)
na criação que nos vem desse pensar;
quero a graça, ó Arrimar,
do arrimo da poesia
cuja brisa, além do verbo,
sopra (lá e cá) de além mar.
Um abraço aos amigos Rogério e Graça. 25-10-2007 13:23:22
(http://casagrande12.spaces.live.com/) QUERO (Graça Arrimar)Olá amigo Rogério Barroso;
Espero que estejas bem. Gostei das novidades da tua página. Sempre oportunamente críticas. Parabéns! Já que aqui vim cumprimentar-te, deixo também um poema. Beijinho Graça
Quero
Quero... sentir que penso alto nos momentos de silêncio sentir que sou gente porque oiço o pensamento. Quero... criar voz na viagem das palavras criar sentido porque o mundo aí se sente.
(Graça Arrimar, "Nos braços do vento") VAI CONTINUAR A PROMETER-LHES O CÉU E A METÊ-LOS, CADA VEZ MAIS, NO INFERNO (Luís Segura)Vai continuar a prometer-lhes o céu e a metê-los, cada vez mais, no inferno! Luís Segura (Vila Real de Santo António) O PS defraudando as expectativas de esquerda dos seus eleitores que lhe deram maioria absoluta, nas últimas eleições, ocupou o espaço político do PSD e CDS fazendo política de direita mais eficaz do que estes dois partidos. A carneirada socialista não se apercebe e aplaude! O Marques Mendes e Paulo Portas, ambos de cabeça perdida, não sabem o que fazer, ou seja, não sabem o que destruir o que resta do 25 de Abril, pois Sócrates não deixa. Quer ser ele a fazer! Os Barões do PSD que não morrem de amores uns pelos outros; que apenas pretendem atingir o poder dentro do partido, para depois fazerem voos mais altos, que os levem a desfrutar das benesses económicas que o poder político lhes dá, engalfinham-se, arranham-se, e, usam todas as armas e apoios, possíveis e imaginários. Hoje são os votos, amanhã são denúncias de fraquezas do antagonista. Entretanto as bases do PSD assistem a este triste espectáculo sem saber o que fazer, pois não sabem o que está por detrás, e ficam tristes por verem o partido a definhar-se, sem solução à vista. As bases do PS, assistem e ficam contentes de verem o principal partido da oposição do bloco central de interesses, numa "guerra fratricida" e pensam: ‘Por este andar não há quem derrote o Sócrates! ‘... E isso é verdade. Não há quem derrote o Sócrates, nem os grupos económicos que o suportam e traçam a política de direita deste país, nem sequer os baronetes, em contenda... Porque estes, têm sempre uma mão amiga que surge, muitas vezes, de onde não se espera!.. Quem sai derrotado destas guerras folclóricas são as bases do PSD e as bases do PS! Os primeiros porque, ganhe um ou ganhe o outro, o cenário não se vai alterar. Ou seja, o Sócrates não vai deixar que outro faça política de direita melhor que a dele. Os segundos, ou seja, os "socialistas" vão continuar a "chupar" com o Sócrates, o qual, continuará a prometer-lhes o céu, e a metê-los, cada vez mais, no inferno! 2007/10/22 ...E EÇA DEU-ME RAZÃO - Rogério BarrosoTal como eu tinha dito à minha amiga Juvita Ladeira, em devido tempo, antes das últimas eleições para o nosso parlamento, durante o meu programa de rádio 'Conversas de Café', Sócrates não cumpriria uma única promessa que conduzisse à efectiva melhoria da vida dos portugueses. Assim foi, até agora. Sócrates deu razão a Eça de Queirós, e Eça deu-me razão a mim. E não percam de vista que não será o PPD/PSD quem virá melhorar as coisas, muito até pelo contrário. Como tudo isto é originado pela férrea vontade do povo, até quando aguentará o povo?
ROGÉRIO BARROSO |
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