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2009/1/31

CARLOS PAIÃO [Ana María Passos Pazos]

 
     Carlos Paião, a par de Fernando Tordo e de José Cid, foi um dos mais belos e melodiosos compositores da música portuguesa.
     Morreu num brutal acidente de viação, perto da Anadia, no dia 24 de Agosto de 1988.
 
       
 
       
 
       
 
2009/1/27

GRITO E CHORO POR GAZA E ISRAEL [Fernando Nobre]

 

O nosso amigo Dr. Vítor Aleixo enviou-nos o texto seguinte, que publicamos com a devida vénia e o necessário agradecimento.
 
 
 

 

Grito e choro por Gaza e por Israel

[FERNANDO NOBRE – 4 DE Janeiro de 2009]

 

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.

            O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes ("terroristas") do movimento Hamas.

            Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:

- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento "terrorista" Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel.

- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamizaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas "terrorista" que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?

- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.

- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).

- Estranha guerra esta em que o "agressor", os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os "agredidos". Nunca antes visto nos anais militares!

- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos "heróis" que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!

- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!

- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!

- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!

- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!

Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!

            É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.

            É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.

 

 

Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi assistente, e especialista em Cirurgia Geral e Urologia.

É Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e Académico Correspondente da Academia Internacional de Cultura Portuguesa. É membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa e do Conselho Geral da Universidade da Beira Interior e docente convidado (em Mestrados e Pós-Graduações) nas Faculdades de Medicina de Lisboa, Coimbra e Minho, na Universidade Autónoma de Lisboa, no Instituto de Estudos Superiores Militares e no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna.

Foi administrador dos Médicos Sem Fronteiras - Bélgica e fundou, em Portugal, a AMI – Assistência Médica Internacional, à qual ainda preside. Participou como cirurgião em mais de duzentas missões de estudo, coordenação e assistência médica humanitária em cerca de sessenta países de todos os continentes.

É presidente da Assembleia Geral do Instituto da Democracia Portuguesa, exerce o mesmo cargo na Associação Tratado de Simulambuco e é patrono da Fundação Burgher Portugal - Sri Lanka. É membro da Real Sociedade de Cirurgia (Bélgica), da Associação Europeia de Urologia, da Associação Portuguesa de Urologia, da Sociedade Portuguesa de Autores, da Sociedade de Geografia de Lisboa e sócio do Grémio Literário

Recebeu vários prémios e distinções em Portugal e no estrangeiro, incluindo o primeiro prémio da Associação Europeia de Urologia e a medalha de ouro dos Direitos Humanos, da Assembleia da República Portuguesa. É Grande Oficial da Ordem do Mérito, Cavaleiro da Legião de Honra de França, Cavaleiro da Real Ordem da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e detentor da Grã-Cruz da Ordem Apostólica de S. Tomé. É cidadão de Honra da Câmara Municipal de Cascais e Embaixador da Boa-Vontade da Ilha de Gorée, no Senegal.

                Tem quatro filhos.

 
2009/1/25

FREEPORT - A QUEDA ASSISTIDA DE UM FIGURÃO [Rogério Barroso]

  Rogério Barroso
 
     Quem, como eu, domina há muitos anos o conhecimento das técnicas de corrupção, nomeadamente a corrupção de titulares de cargos públicos, desconfia sèriamente do envolvimento do Sr. Pinto de Sousa (conhecido entre nós pelo seu segundo nome: SÓCRATES) nesta "história" do FREEPORT. A sua reacção pública - dizem os comentadores amansados a soldo da Comunicação Social do regime que foi muito inteligente - é, ao contrário, profundamente desajeitada, admitindo ou confessando determinados factos, mas negando o fundo da questão. Estes ditos "jornalistas" têm é o encargo de ir branqueando os escândalos que brotam das arcas do exercício do poder, para manter a parolagem quieta nos meandros das votações.
     Mas, afinal, qual é o caso?
   
 
     Os testemunhos públicos vão-se acomulando, o que me leva à interrogação àcerca do que anda a fazer o Ministério Público há quase meia dúzia de anos, que não consegue investigar nas pistas exactas, para as quais foi ntão devidamente alertado.
 
   
 
     Um dos traços indiciadores da corrupção dos titulares de cargos públicos é a desigualdade de tratamento que é dado a uns cidadãos em cofronto com o que é dado a outros cidadãos, nomeadamente no que concerne ao tempo que o Estado leva a resolver as situações em confronto. Eu, por exemplo, represento uma empresa que tem um contrato com o Ministério do Ambiente, firmado ainda antes de o Sr. Pinto de Sousa ser Ministro do Ambiente do governo Guterres, e o Estado ainda o não cumpriu, apesar de várias das suas personalidades responsáveis serem alertada de mês a mês: diz respeito ao chamado Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura-Vila Real de Santo António. E não cumpriu com esta empresa nem com outra que eu também represento, nem com nenhuma das restantes envolvidas no assunto, pelo menos nas zonas de Monte Gordo e de Vila Real de Santo António, com excepção das empresas, uma que pertencia ao filho do ex-deputado e meu colega Dr. Almeida Santos, e a outra a da Quinta do Lago. Com estas, o Estado cumpriu fechando os olhos às ilegalidades praticadas. Além do mais, dirigentes destes particulares foram premiados, com corrupção ou apenas com corrupção tentada, com celeridade incomparável com os outros particulares de menor capacidade de capital.
 
   
 
     Aparece um idiota que foi Secretário de Estado, a meter o assunto na HISTÓRIA DE PORTUGAL, e a dizer que não há qualquer violação onde se prova plenamente o contrário.
 
   
 
     E o que é que está a fazer o Ministério Público?
     O sindicato dos magistrados pede que as declarações do Sr. Pinto de Sousa sejam melhor esclarecidas e o Procurador Geral da República diz que se vai manifestar mais tarde.
     Então, ninguém constitui o Sócrates como Arguido? (Ao menos para melhor garantir as suas garantias de defesa, como no caso da Maddie).
 
     Mas o Sr. Pinto de Sousa vai lutar.
 
   
 
     O buraco está aberto. Só não se fará justiça se a JUSTIÇA não quizer.
 

 

Todos os dias, para além de comer e beber e os mais dejectos que sairão, naturalmente, a chamada lei da natureza, teremos de injectar pressupostos de grupos associados, na Lei, Partidos, manipulando o meu destino.

Ora será contra isso que me insurjo.

Porque apenas votei. E tal afectação livre e legal, à posteriori leva-me a pensar que serei um escravo à ordem do dono...

Mas a gaita é que sei que são votos temporários, medidos pelo tempo, regidos pelos relógios. Do Sol, dos Equinóceos, claro, dos relógios atómicos que ainda hoje têm de ser regulados para ajustar o tal tempo.

O que significa, simplesmente, que a ciencia humana ainda não conseguiu ir ao "controle" do tempo, a 4ª dimensão.

            Então parece-me plausível a dúvida da capacidade humana. Que, brincando na virtualidade que a electrónica lhe oferece, brinca fortuitamente no império das suposições. Porque as não domina. mas..quer..e a virtude do querer é forte, mas não nos traz qualquer decisão confortável, o mundo onde quero viver.

            Contem, essas gentes com uma "feroz" oposição quando..sem querer..me dizem..me tiram o pão.

Contem.

            Estarei disponível para a legião estrangeira, hoje, felizmente, força de paz...estou.

Sempre melhor que ficar num fétido buraco que é o meu País.

Já nem consigo respirar a seguir ao enjoo permanente.

Poça, vou vomitar !!!

 


 

Rédea curta e chicote a estalar no ar...assim corriam as quadrigas em Roma.

Sem medos.

Os heróis deixam História.

Os centro comerciais, não.

Teremos de correr até ao fim da corrida.

            Vi hoje na tv, que os genes da inteligencia humana poderão ser manipulados dentro de 1 ou 2 anos.

            Irá tal conhecimento científico para as Bolsas internacionais, a "leilão" ??

            Rezemos a um deus que as "agencias" não matem mais ninguém.

Ou rebentem o arsenal, assim iremos todos prá 7ª dimensão, sorrindo, maviosamente.-

Ou.. Condição única:

Vamos todos..!!!

            Se não formos todos ficarei por cá...só para saber da eternidade destes poderes dos simplórios políticos de Portugal que, pensam, talvez, podem levar os valores acumulados..de tantos megaprojectos.

E ver a pobreza do povo português, ingénuo, em excesso.

            E na próxima, quando voltar, se houver espaço, procurarei ser um voador de sonhos, talvez consiga agarrá-los.

Escumalha..!!!

[26 de Janeiro de 2008]

 
 
 
 
 
 
 
2009/1/10

A JUSTIÇA PORTUGUESA NÃO É APENAS CEGA... [Clara Ferreira Alves]

 

          O nosso amigo José Gravata, comandante da Caravela «Boa Esperança», teve a paciência e a bondade de nos mandar o artigo da Clara Ferreira Alves, que se segue. É para lerem e guardarem, como agenda das artimanhas que a bandidagem dos sucessivos governos de Portugal (incluídos os próximos) vêm aparelhando para salvar os seus patrões.
 
          Aproveito para informar que, na próxima terça feira, 13 de Janeiro de 2008, no horário normal, passa na LEPEVISIÓN (A televisão da Andaluzia Ocidental) a entrevista que Rogério Barroso e Jesús Llanes vão fazer ao comandante José Gravata.
 
   ANA MARÍA
 
 
 

A justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca

[CLARA FERREIRA ALVES – 10 de Janeiro de 2009]

 

 

 

Não admira que num país assim emirjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande “cavallia” (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

 

 

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir  nada.

 

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é  improvisado, temporário, desenrascado.

 

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

 

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque  intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

 

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

 

Do caso «Portucale» à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

 

Vale e Azevedo pagou por todos.

 

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

 

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

 

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

 

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

 

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

 

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

 

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

 

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

 

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

 

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?

 

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

 

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

 

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

 

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

 

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

 

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

 

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

 

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

 

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

 

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

 

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.


 ferescreveu:
Já Maria José Morgado, dizia que um país é tão mais pobre, quanto maior for a sua corrupção. Se Portugal não é rico nem pouco mais ou menos, que ilação se tira daqui?
Há muitos corruptos em Portugal. É triste mas é verdade.

 

2009/1/9

MENINA DO ALTO DA SERRA [Tonicha]

 
 
Faz este ano 38 anos que embarcámos nesta grande aventura.
O Zé Carlos Ary dos Santos tinha escrito um poema muito lindo e muito empolgante, que revelava aquilo que sentíamos de ternura e amor pelas mulheres do nosso povo.
Pediu-se ao Nuno Nazareth Fernandes que lhe pusesse uma música e este foi buscá-la a um autor francês, chamado Alain Fondat.
Foi o maestro Augusto Algueró que fez a orquestração para o Festival da RTP, que ganhámos, e, depois, no Festival da Eurovisão, a orquestra foi dirigida pelo maestro Costa Pinto.
A alma de tudo isto foi o JOÃO VIEGAS.
 
 
Nessa altura estava eu na guerra de Angola.
 
  
Hoje, dá-me cá um aperto no peito...
Amanhã, até onde iremos?...
 
             

BASTONÁRIO HÁ UM ANO [Marinho Pinto, advogado]

      

Marinho Pinto foi eleito Bastonário da Ordem dos Advogados exactamente há um ano e, ao longo de 2008, disparou em todas as direcções. Lançou críticas aos políticos, atacou magistrados e lançou suspeitas sobre o funcionamento da Justiça. Recordamos 10 das declarações mais polémicas que o bastonário fez durante o primeiro ano de mandato.

"Há pessoas que ocupam cargos de relevo no Estado português que cometem crimes impunemente"
DN, 27 Janeiro 2008

"Um dos locais onde se violam mais os direitos dos cidadãos em Portugal, é nos tribunais"
SIC Notícias, 27 Junho 2008

"98% dos polícias à noite estão nas suas casa. É preciso haver polícias na rua à noite fardados"
Público, 27 Junho 2008

"Há centenas ou milhares de pessoas presas [em Portugal] por terem sido mal defendidas"
Público, 27 Junho 2008

"Vale tudo, seja quem for que lá esteja, desde magistrados a outros juristas, não se pode falar em justiça desportiva, mas em prevalência manifesta de interesses e de poderes"
RTP,  08 Julho 2008

"Eu não discuto com sindicatos. Os sindicatos querem é mais dinheiro e menos trabalho"
RTP, 10 Julho 2008

"Alguns magistrados pautam-se nos tribunais portugueses como os agentes da PIDE se comportavam nos últimos tempos do Estado Novo"
RTP, 10 Julho 2008

"Estão-se a descobrir podres que eram inimagináveis há meia dúzia de meses. E não é por efeito da crise. É por efeito da lógica do próprio sistema. Parece que o sistema financeiro só funciona com um pé do lado de lá da legalidade"
JN, 28 Dezembro 2008

"Uma senhora que furtou um pó de arroz num supermecado foi detida e julgada. Furtar ou desviar centenas de milhões de euros de um banco ainda se vai ver se é crime"
JN, 28 Dezembro 2008

"Pelos vistos, nenhum banco pode ir à falência"
Público, 30 Dez 2008


pac fieldsescreveu:
Venha lá de onde vier a informação, a verdade é que até o mais banal dos portugueses como eu, pertencente a uma geração que já veio depois da desse senhor, tem a percepção de que tudo o que é referido corresponde à verdade. Mais! Infelizmente é também sentida a continuidade e alargamento desse tipo da atitudes, camufladas pelo bom samaritanismo apregoado pela restante classe política deste país. Sugerindo claramente um nome que deu origem a uma série televisiva "O Polvo". Mas... pelos vistos... só assim se vence na vida. Perde-se o bom carácter e ganha-se o poder e, lamentávelmente, com o poder até se pode fabricar um "bom carácter".
Fields.
Dez. 31

2009/1/8

OÙ S'EN VONT? [Michel Fugain]

 
       
 
Porque é que os meus amigos são assim? Põem-se a chorar em qualquer sítio!...
 
 
               
 
 

O QUE É PRECISO [Medina Carreira]

 
«Olhe! É preciso acabar com a ladroeira que há em Portugal!»